Diário de Sophie#11
…. e ao ler este post do Rui Lage, lembrei-me logo das lojas Singer. De facto, aquele reflexo acidental no espelho de que fala o Pirandello e que nos anos 20 só permitia fracções de segundo de “não conhecimento do ser” foi hoje substituído pelas câmaras de filmar das montras das lojas Singer. Com elas, já é possível, olhando para o televisor da montra que mostra quem passa pelo lado de fora, 1 a 2 segundos de “não conhecimento do ser”. E se estivermos mesmo muito distraídas, podemos experimentar quase três segundos a olhar para um corpo estranho que não reconhecemos como o nosso, querido diário. Só depois, claro, é que começamos a olhar para o voluptuoso tamanho dos seios, para a anca torneada al dente, a saia de rasgo prolongado em vermelho-pérola que acompanha o traço da meia de vidro, o tacão de 5 cm com tira-tornozelo tipo “alunas de Apolo”, a gargantilha “Arte Nova” e os abdominais tensos em umbiguinho generoso e então dizemos surpreendidas: olha, aquela sou eu!!!.
De Keith Jarrett já se disse muito e ainda falta dizer quase tudo. Menino prodígio, começou a tocar piano com três anos e deu o seu primeiro recital com sete. Na adolescência já tinha uma interessante carreira profissional. Também começou a editar muito cedo. A sua ampla obra discográfica foi editada maioritariamente pela ECM, etiqueta conhecida pela excelente qualidade das suas gravações e pela primorosa apresentação gráfica dos seus discos. Jarrett já gravou de tudo: jazz, sessões de improvisação, interpretações de peças clássicas (Bach e Mozart, por exemplo), a solo ou em grupo. E das suas interpretações destaca-se sempre a sua inimitável maneira de tocar piano, ainda mais evidente nos concertos ao vivo. Um bom exemplo disso é o “The Köln Concert”, gravado ao vivo em 1975, na Köln Opera House.


Ontem, o 
Edwin Arlington Robinson

De acordo com uma notícia publicada no jornal “O Comércio do Porto” de ontem (não tem sítio na internet), a investigadora de arte sacra Fátima Eusébio terá defendido, num colóquio público, a implementação de acções urgentes para evitar os frequentes “pseudo-restauros” de obras de arte que ocorrem nas igrejas portuguesas. Recorde-se que 70% a 80% do património artístico nacional pertence à Igreja. Mas, segundo Fátima Eusébio, “são muitas as obras onde a intervenção de restauro se tem revelado ruinosa, pautada por critérios não científicos, mas economicistas e sujeita ao gosto, muitas vezes duvidoso, do sacerdote e da população”.





Nas comemorações do 30º. aniversário do 25 de Abril de 1974 tem sido tema corrente o relato de alguns métodos utilizados pela censura exercida durante os quarenta e oito anos de ditadura. Poucos têm falado, no entanto, sobre as novas censuras que, de forma discreta e quase sempre hipócrita, se vão exercendo hoje em dia por esse país fora – nomeadamente em alguma comunicação social sem escrúpulos, geralmente ao serviço de interesses obscuros ou nas mãos de notáveis sacripantas, movidos pelo desejo de instalação do deserto à sua volta (para que a sua mediocridade surja como simulacro de qualidade) ou por ódios, geralmente nascidos da inveja.





Andam os espíritos azedados a dar p’ra baixo no Dan Brown. Quem? O Dan Brown, aquele moço americano, o de “
Já aqui tínhamos falado do 
Mais uma vez se comemora Abril, mas sob auspícios absolutamente inquietantes tanto a nível civil, quotidiano e sem ouropéis, como a nível das chamadas forças vivas e que se traduzem, na estrutura da Nação, pelos perfis das mais altas encarnações do Estado. Assim, por exemplo, o poder judicial está hoje completamente desqualificado, é uma instância eticamente desprestigiada onde se exercem, de acordo com relatos dos media, ignominiosas parcialidades e um desleixo inqualificável, mau grado o esforço de próceres seus – onde se contam magistrados dignos e juristas operosos, não esquecendo os trabalhadores que o quantificam a nível do labor prático – cuja acção não é contudo de molde a inflectir ou erradicar decisivamente a maleita.








Para abrir a manhã, o poema “Ars Poetica” de Archibald Macleish (E.U.A., 1892-1982).










Moacir Santos (n. 1924) é um daqueles nomes que há muito devia constar destas fichas sobre jazz que tenho publicado no granito. Um só dos seus discos justificaria uma longa referência na história da música. Foi compositor, maestro, multi-instrumentista e pedagogo. Incluído normalmente na chamada MPB instrumental, Santos combinou como ninguém os ritmos populares brasileiros, a bossa nova e o jazz. “Ouro Negro” é um disco duplo de homenagem onde se recolhe uma parte muito importante da sua longa obra e que conta com a participação, entre outros, de Gilberto Gil, Milton Nascimento e João Bosco. O músico vive nos Estados Unidos desde 1967.



Para abrir o dia, um poema em prosa de Russell Edson (E.U.A., n. 1935), intitulado “O Novo Pai”. (A tradução infelizmente é minha).
O Ricardo Carvalho enviou-nos a sua primeira sugestão musical desde há várias semanas. “Gostaria de destacar o último trabalho de um dos mais importantes colectivos pós-modernistas portugueses: Ena Pá 2000.” O disco chama-se “A Luta Continua” e há mais informações
Já está definido o programa da 2ª edição do Festival Internacional de Curtas Metragens do Porto, que irá decorrer nos dias 27, 28 e 29 de Maio, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Palácio de Cristal, no Porto. O prazo para a inscrição de filmes termina a 30 de Abril. Estas e outras informações estão disponíveis no 


Um poema de Herman de Coninck (Bélgica, 1944-1997), incluído em “Os Hectares da Memória”.



Uma encomenda do Festival de Jazz do Porto e da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura ao pianista Paulo Gomes deu origem a um dos melhores e mais inovadores discos de jazz portugueses editados nos últimos anos. “Intro” (2002) reúne o material que o decateto de Paulo Gomes estreou ao vivo, no Porto, em 22 de Setembro de 2001. No 
Hoje, com o jornal 
Fragmento do “Canto Geral do Chile”,



Bem-vindo ao Quartzo, Feldspato & Mica.

Ficava de mal com a minha consciência se não avisasse os cinéfilos intemeratos e até aqueles que o não sejam (já será tempo de se viciarem) que é hoje, pelas sete da tarde, no canal Hollywood, emitido o “Ulzana, o perseguido” (Ulzana’s Raid) de um Robert Aldrich em plena forma com um Burt Lancaster superlativo na figura de um duro e desencantado batedor do exército a contas com uma incursão desesperada de apaches no território do sudoeste. Faz-lhes companhia um ainda muito jovem Bruce Davison, num contraponto que torna coerente este “western” invulgar, iniciático, para “gourmets”.

Baixo, bateria e piano. Uma formação simples para um disco maior. “These Are The Vistas” é o excelente álbum de estreia dos Bad Plus. Com composições próprias verdadeiramente originais e versões soberbas de alguns temas oriundos do universo pop-rock, como “Smells Like Teen Spirit”, dos Nirvana, “Heart of Glass”, dos Blondie, e “Flim”, dos Aphex Twin. Para comprar e nunca mais guardar.


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