29.6.05

Desafortunadamente

Desafortunadamente, alguns dos leitores deste blogue, e mesmo mais do que um, tomaram à letra uma ironia aqui transcrita. Não é que o problema não exista, mas a forma de o tratar era claramente irónica.

Para sossegar as almas inquietas, aqui deixo uma declaração do mesmo autor, veterano da internet em língua francesa, muito anterior à moda dos blogues, sobre as suas pretensões impertinentes:

A force de regarder mon nombril en quête d'ailleurs, j'ai décidé il y a quelques temps d'ouvrir mon bavoir au monde entier, au milieu des colifichets et des marchands du temple, coincé entre les poncifs.com et les dépressifs point à la ligne.

Voilà, c'était ma phrase d'accroche. Je ne l'ai pas changée depuis 3 ans.

Quand le doute m'assaille, n'ayant guère les moyens de retrouver les guerriers du même nom en Afrique, je ponds tel la poule des âneries passagères. Je me mégalomanise, je me célèbre, j'ai l'impression, ça m'occupe. Putain, je me trouve terriblement brillant ! Ah, ça mériterait un prix, des honneurs, une distinction ! C'est la grande classe qui m'irrigue, la verve en plume, je m'étonne encore. La poissonnerie du petit texte, de l'en-cas, de l'à-propos, oui, j'avoue, c'est moi, c'est ici. Ça ne vous coûtera rien, à vot'bon c?ur messieurs-dames, lisez-en un, je vous jure que c'est gratuit, que c'est de la bonne...

Mais bon.

Depuis quelques temps, de nombreux usurpateurs, et pas des moindres, des dilettantes, des libéraux, parfois même des Anglo-saxons, tentent de m'imiter sous la forme d'un machin, au néologisme étrange, "weblog" ou, pour les fainéants, "blogs". Ceux-là ne tiennent pas la comparaison, et crèvent rapidement par manque d'envie, de verve, de petit dégoût. Alors que moi, ah, MOI, ah ah ah ! J'ose l'avouer : moi !

4 Comments:

Blogger O Bom Selvagem said...

Ah ah ah :)

Da minha parte só posso que compreendi o texto (e que o tom era irónico) mas não me revi propriamente na mensagem (mesmo que irónica) do mesmo.

Está bem escrito mas tem demasiadas falhas 'científicas' ou 'económicas'!

Por exemplo, o Inimigo Público disse que uma das coisas que Valle E Azevedo fez foi rasgar contratos e despedir o Mourinho. Ora isto é mentira. Foi Valle que o contratou. Foi Vilarinho que o despediu. Basta um erro assim para que uma boa piada se perca. Também gozaram com a suposta inauguração do mosteiro de alcobaça por Isabel Damasceno, quando o mosteiro nem é no concelho de Leiria.

Eu sou altamente picuínhas nisto, confesso. :(

11:29 da manhã  
Blogger Manuel Resende said...

Caro Selvagem Bom.

Não era para si, seja lá quem for, o remoque.

Acho que é fácil de perceber que o meu amigo percebeu.

Em devida altura lhe reconheci razão.

Só queria sublinhar que o Franciú em questão não se leva a sério e se limita a opor as suas perplexidades ao mundo em que vivemos. Que é assaz perplexante, não?

Como explicar? Assim: estamos perante escolhas ou opções, como queiram, absolutamente cruciais.

Há quem divida o tempo entre o chrónos, isto é o simples passar dos instantes sempre iguais,uma coisa simples, que se representa por qualquer abscissa ou régua ou cronologia, e o kairós, aqueles momentos em que o mundo, e nós com ele, tem de responder aos desafios que encontra pela frente. São instantes instantes, quero eu dizer, instantes que nos instam.

Muita palermice se deitou sobre o Kairós (maiúscula), tomando-o como pseudónimo dos deuses. Para mim, é muito mais simples e chama-se política, no sentido mais nobre do termo.

São aqueles momentos em que as sociedades e os seus membros têm de tomar decisões sobre as suas relações com o mundo. Continuar a pensar que podem sujeitá-lo, o que é uma estupidez, porque ao quererem sujeitar o mundo, querem sujeitar os seus iguais, querem fazer de tudo seus escravos, querem ser eles próprios escravos, ou aderirem ao amor pelo mundo, cederem às suas leis, e procurarem uma forma de vivermos já não digo, irmãos, mas, por exemplo, fraternos.

Fraternos, não só com os nossos irmãos próximos, mas também com os nossos irmãos longínquos.

A ciência para mim, tal como a poesia, só pode ser isso: um exercício de humildade. Saber que só sabemos a nossa margem de erro (e mesmo isso...). Não ceder ao Deus que nos quis convencer de que nos tinha dado o mundo para o dominarmos (está no Génesis).

Saber que o saber mais elevado, como o amor, consiste em aceitar.

10:06 da tarde  
Blogger O Bom Selvagem said...

Caro Manuel,
"A ciência para mim, tal como a poesia, só pode ser isso: um exercício de humildade. "

Concordo em absoluto.

Mas há uma diferença fundamental (ou mais que uma) entre os dois.
É que a ciência é profundamente objectiva, a começar pela minha matemática.
Isto é, a humildade é imposta pelos axiomas da realidade. Nem que seja à força de vergonhosas negativas nos primeiros exames, de experiências que correm mal ou de uma equação não resolvida.

É impossível fazer ciência sem as restrições normais da realidade empírica ou de axiomas bem claros.. Isso torna-a fortemente objectiva e impiedosa. É claro que há pontos em comum, é claro que há poesia numa bela solução, mas não exageremos.

A poesia é algo em que o próprio autor é que reconhece no que fez a perfeição ou imperfeição, o correcto ou o errado. Trabalha sozinho. A humildade é fruto do confronto consigo próprio, dos limites a que se propõe. Talvez por isso seja muito mais difícil encontrarmos um poeta verdadeiramente humilde, até porque está consciente da sua humidade. O cientista só se preocupa em fazer ciência! :)

Eu cá aceito as diferenças. Já me habituei ao anhanço dos poetas. São castiços os poetas.

E os campos por vezes tocam-se.
As noites solitárias que passei meio enregelado agarrado ao meu telescópio reflector de 10" a contemplar o universo foram tudo menos ciência, apesar de precisar da ajuda de complexos atlas das estrelas.

A ciência e a poesia são ambas esforços do homem para responder ao repto que Deus nos lançou no Genesis. O nosso domínio do mundo fez-se pela palavra e pela ciência! São manifestações do génio humano! :)

10:39 da manhã  
Blogger Manuel Resende said...

Õra aí está onde divergimos mais do que pensa.

Esse Deus pregou-nos uma partida, ao dizer-nos que íamos dominar o mundo. Não,apenas podemos espreitar por uma janelinha (nem que seja um telescópio) para as suas leis.

Neste sentido, poetas cheios de embófia e cientistas esquecidos da margem de erro incorrem no mesmo pecado: pensar que deus os fez à sua imagem... julgarem-se deus, fazedores das leis, capazes de resolver o enigma do todo, capazes de encontrarem o axioma de onde tudo se deduz mecanicamente.

2:35 da tarde  

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