8.7.05

O suicídio de Masada

Naqueles tempos os romanos ocupavam Israel.

Entre os judeus, os sicários eram os mais ardentes lutadores contra a ocupação romana e iam ao ponto de matar os seus próprios compatriotas que suspeitavam de colaboração. Injustamente, porque muitos destes últimos também os acompanharam na luta contra os romanos.

Mas os sicários não eram os piores.

Seja como for, um sicário de qualidade estava acolhido em Masada, quando o general Flavius Silva marchou contra ela.

Eleazar reuniu toda a gente de Masada e disse: «Não vamos deixar que os romanos nos apanhem vivos,pois seríamos sujeitos à servidão. Matemos as nossas mulheres e filhos, queimemos as riquezas, e matemo-nos uns aos outros. Mas deixemos os víveres para que os romanos vejam que não foi por fome que nos matámos.»

Quando viu que alguns fraquejavam, retomou o seu discurso, explicando que a alma era imortal.

Ao fim deste discurso, estavam todos entusiasmados. Cada homem matou a sua mulher e os seus filhos. Depois, designaram dez homens para matarem os outros. E, no fim, um desses dez matou os outros. E a si próprio deu a morte, depois de queimar todas as riquezas.

O número de mortos elevava-se a novecentos e sessenta, contando com as mulheres e as crianças. Este desastre aconteceu no dia 15 do mês de Xanthicos.

(Muito) adaptado de Flavius Josephus, "Guerra dos Judeus".

Falta saber se houve suicídio colectivo ou não, ou simples resistência até à morte. Se os sicários eram isso que dizia FJ ou não (Flávio Joseph era um aristocrata judeu que se passou para o lado dos romanos). Não sou historiador, não sei. Mas o tema «liberdade ou morte» é muito antigo.

10 Comments:

Anonymous ns said...

Muito antigo,sim, mas não justifica este exemplo o terrorismo suicida dos membros da al-qaeda e outros. Além disso,os de Masada mataram-se a eles e a suas famílias (num acto que dificilmente me eximo a considerar inteiramente fanático e paranóico) - não levaram com eles pessoas do quotidiano exterior. (Isso é um puro acto de guerra sem quartel).
Não se nos venha com este exemplo buscar dulcificar os criminosos - suicidas ou não - que destroçaram gente em Espanha e agora o fizeram em Inglaterra.
E quando o farão noutro país desta área?

1:11 da manhã  
Blogger Manuel Resende said...

Ora bolas, assim não brinco.

Achas que estou a justificar as bombas em Londres?

Assim não brinco, nem nunca mais te respondo.

Assim não brinco. É que não brinco mesmo. E não estou a brincar.

Ora vai dar uma volta ao bilhar grande, sim?

1:16 da manhã  
Blogger jorge said...

bom texto!
abraço.

3:26 da manhã  
Anonymous ns said...

Nunca pensei que estivesses a brincar. Sempre pensei que falavas a sério.
Quanto ao bilhar, é evidente que não dou nem nunca dei voltas.
Nem me formalizo com qualquer crítica que me dirijam. Todos nós somos passíveis de crítica e pessoas responsáveis ante o que escrevemos e ante os outros.
Se eu achasse que estavas a justificar as bombas de Londres dizia-to directamente. Ou seja, faço minhas as palavras de Breton: "Se (...) o quisesse dizer, tê-lo-ia dito", referindo-se a Henri Michaux.
E seria incapaz de te sugerir que fôsses dar uma volta a qualquer bilhar. Grande, pequeno ou assim-assim.

9:47 da manhã  
Anonymous Filipe said...

Nicolau, Bom dia. O M. Resende deve estar a dormir a esta hora (no sentido literal). Mas ele, já reparei, costuma dormir sobre o assunto e, por isso, prevejo que vai voltar à carga e alegrar este debate. Um abraço.

10:03 da manhã  
Anonymous ns said...

Olá, Filipe, bom dia!
Logo de tarde vou levar a cabo coisas que tenho em mãos: uma tradução do Brossa para uma companhia de teatro, um acabamento de textos para uma revista, umas pinturações adiadas...
Mas de facto a manhã estou a utilizá-la na Net, arejando digamos assim os músculos eheh.
O abraço firme!

10:30 da manhã  
Blogger Manuel Resende said...

Este post tem a seguinte intenção: verdade ou não, a lenda do suicídio de Masada representou na Israel do pós-guerra (depois de séculos de esquecimento por parte dos judeus,pois foi escrita em grego por um judeu colaboracionista), representou digo eu um mito fundador, como sinónimo da coragem absoluta: preferir a morte à servidão. Inspirou os bombistas israelitas, muitos dos fundadores de Israel, e houve até um arqueólogo que com meia dúzia de índices quis provar a sua verdade: ciência, bombas e lendas ao serviço da morte.

Pierre Vidal-Naquet: «Les Juifs, la mémoire et le présent» analisa o mito e os seus usos.

Era esse o sentido oculto do post.

11:02 da manhã  
Blogger O Bom Selvagem said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

11:34 da manhã  
Anonymous ns said...

Mas tens de convir que o post, na altura e na circunstancia em que foi colocado é tremendamente interrogativo para quem o leia.
E isto é dizer pouco.
Além disso, há um pequeno senão em que talvez não tenhas reparado.
Se fizermos uma comparação, ainda que a voil d'oiseau e quase sem meditarmos muito nisso, os judeus de Masada defendiam a sua casa, a sua pátria, concedamos que o seu povo. Ben Laden e a Al-Qaeda não são ao que me parece nem do Iraque, nem do Afeganistão nem da Inglaterra.
Claro que Laden e o seu grupo - que é mais de massas do que pensas e referes! - se sente dono de tudo, porque de facto o islão a que se acolhe é a seu ver o senhor de tudo.
É tão simples como isto.

11:49 da manhã  
Anonymous ns said...

Resta dizer, para finalizar a minha actuação nesta doce manhã alentejana de um calor já galopante: enquanto o Islão (todo o Islão!) não for democrático, ou seja, não deixar que se instalem sociedades democráticas no seu cone de actuação, continuará sendo um campo de cultivo imenso para o fundamentalismo e o terrorismo.
O problema real - e isto, por complexo de culpa é que muitos não querem ver - é a visceral oposição do Islão à democracia.
Sem paninhos quentes, é isto que está a alimentar o terrorismo dos grupos terroristas à guisa da al-qaeda.

11:57 da manhã  

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