6.7.05

Da idolatria no meio literário

Estive a ler o suplemento "Mil Folhas" (25.06.2005) dedicado a Eugénio de Andrade. Perante tanta idolatria (aconteceu o mesmo com Sophia de Mello Breyner...), sobressaem os textos de Eduardo Pitta - "Insistir na 'veneração' acrítica é um disparate e um erro" - e de José Tolentino Mendonça - "Desconfia daqueles que veneram. Expulsa de tua soleira os devotos. Não admitas a teu convívio os lábios reverenciais". Um escritor não precisa de devotos (que tantos estragos fazem com a sua cegueira bem intencionada), mas de leitores conscientes que olhem para a sua obra com atenção crítica. Como nos mostram as memórias de Gabriel García Márquez, até os maiores escritores "pecam" sete vezes por dia...

Ruy Ventura

11 Comments:

Anonymous Fguerra said...

É verdade, aquilo cheira a panegírico, a elogio fúnebre. Mas, participar nesses suplementos, e às vezes revistas inteiras, para dizer que não se deve cair na veneração e se deve ser crítico, vai dar ao mesmo. O ideal, creio eu, seria fazer uma boa escolha da poesia do defunto e espalhá-la pelas páginas do suplemento. Só assim se honraria o preceito: morra o homem, fique a obra.

10:33 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

O tolentino é um padreca, não tem moral para botar palavra.

1:30 da tarde  
Blogger Rui Lage said...

Ó Ruy, mas o que é que tu querias? Que os leitores de poesia fossem todos críticos literários? Isso é pouco simpático para com a maioria dos leitores de poemas, que sabe apreciar e fruir um bom poema mas não articular qualquer espécie de discurso sobre ele. Há um lugar para tudo. E o Filipe Guerra tem toda a razão: muitas vezes são os que criticam a veneração de algumas figuras literárias os primeiros a aceitar convites para escrever em publicações onde tais figuras são veneradas.

2:34 da tarde  
Anonymous same guy said...

Certíssimo! Assim, por exemplo: o Pitta também é um bom ponto.

2:55 da tarde  
Anonymous Miguel said...

O suplemento vale por si, pelas "criticas", pelas histórias de e com o poeta, por algumas, pequenas, revelações.
Não me parece veneração, devoção ou elogio fúnebre, nem me lembro de alguém ter chamado a atenção quando o MilFolhas fez exactamente o mesmo na morte do Hermínio.

2:55 da tarde  
Blogger Nancy Brown said...

Infelizmente é sempre assim: se se fala num autor é porque se é apenas "acéfalo" adorador se não é porque se é iletrado... Caro Ruy Ventura a sua afirmação é de um pretensiosismo? bacoco!

4:49 da tarde  
Blogger O Bom Selvagem said...

Eu nunca li Eugénio de Andrade.
Eu queria ler Eugénio de Andrade no Mil Folhas.
Em vez disso estavam lá umas linhas do Pedro Mexia.
Não me pareceu equilibrado.
Devia haver mais um bocado de poesia dele ali no meio porque quando um poeta morre, é uma excelente oportunidade para lhe divulgar a obra.

Eu já não me lembro sequer do que li, exceptuando o texto do Pacheco Pereira que nem era nada mau.

5:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Este tipo parece ou é mesmo alentejano?

5:00 da tarde  
Anonymous ns said...

Não concordo com o epíteto de bacoco aplicado a Ruy Ventura. Acho que é desajustado e injusto, pois nada no seu textinho aponta para isso.
No resto, RV tem sido - já na sua terra muitas vezes madrasta, já no seu país mal agradecido mas que tem dignamente representado no estrangeiro, com o pundonor de homem honrado e de real talento - o perfeito contrário do sujeito bacoco, raso, charro.
Tal qualificação intempestiva de Nancy Brown é pois profundamente injusta.

3:47 da tarde  
Anonymous Ruy Ventura said...

Agradeço as observações ao meu post (obviamente aquelas que revelam inteligência - mesmo que essa inteligência se concretize em opiniões contrárias às minhas).
Abraço o meu amigo Nicolau por, mais uma vez, não ter medo de defender os amigos quando estes são enxovalhados (sejam amigos vivos, como ainda vai sendo o meu caso, ou defuntos, como Régio).
Sobre os insultos com que me presentearam (já os esperava quando escrevi o textinho) algumas boquinhas caridosas, respondo com algumas frases alentejanas (de que me orgulho):
1- não sou tão rodilha que me abaixe a esfregões;
2- para uma pessoa como eu, tudo são honras (até os insultos recebidos por gente tão baixa, que não me atinge - perdoem a imodéstia).

11:21 da tarde  
Anonymous Ruy Ventura said...

queria escrever:
"de gente tão baixa que não me atinge".

11:25 da tarde  

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