27.6.05

Ah, grandes anacolutos

Soube, por amigo comum, que o Rui Amaral não está (ele está, mas de férias) pelo que me sinto como que compelido a preencher este blogue com posts.

A minha natureza tem horror ao vácuo.

Aproveito portanto o vácuo para perplexidades.

É aquela história dos casmurros. Estive para lhes escrever (proclítico) mas mando-lhes (enclítico, ainda bem que não é pós) aqui um post aberto. Aproveito para informar que peço asilo político ao QFM pois fui vergonhosamente usado por esses senhores, que, ainda por cima, na minha ausência em São Pedro do Sul, no gozo de uma merecida terapia a que a classe trabalhadora tem mais do que direito, refocilam no prazer de me acoimar membro da classe servil. Queriam chá que lhes servisse (hipérbato)? É porque o não têm.

Eu não percebo como é que esses elitistas pseudo-ontelectuais (paronomásia), sobretudo um tal Baptista (que ainda me deve o subsídio de natalidade), se permitem gozar com as figuras do discurso! É que não sei o que eles querem. Quererão enveredar pelo ínvio e escorregadio caminho dos linguistas, que a única coisa que sabem é dizer que:

1) Há uma diferença entre

O cão mordeu o homem

e

O homem mordeu o cão

2) Como o Chomski (que eu muito admiro, mas não conseguiu ir muito além das orações principais e relativas, pudera, que a coisa lá para cima é complicada),

há um foco?

Não sei se eles querem dizer isso, ao gozar (mas estarão a gozar?) com as figuras do discurso. É claro que, aqui para nós, eu sou um simples camponês das chamadas letras, aprendi na oficina, e desconfio sempre dos professores. Nessa conformidade, desconfiado como qualquer camponês, sinto-me intimidado ao comentar os comentários deles. Será que não haverá ali algum segundo sentido? Será que eu não percebi bem? É de perguntar, não?

Mas, seja como for, todas essas esdrúxulas formulações com que eles tanto brincam, são uma forma (digamos, taxonómica) de nos mostrar o caminho das pedras, quando falamos. Isto é, quando utilizamos uma língua que foi feita imperfeita para o vasto mundo que tinha de reconstruir para o comércio linguístico entre semelhantes. Se era imperfeita, toca de a violar com figuras de discurso. A própria estranheza dos nomes mostra como ainda não se conseguiu melhor forma de descrever esses mecanismos.

Este que se assina,

Groucho (proletário das letras)

4 Comments:

Blogger Rui Lage said...

Manel, penso que falo por todos quando digo que tens cá todo o asilo de que precisares. Podes mesmo ver o Quartzo como um asilo. Aqui temos solo sagrado para dar e vender. Quanto a casmurros, olha, sabes que mais, nunca achei o Bentinho assim tão tão casmurro quanto isso. Com uma mulher como a Capitu, quem não seria acometido de ciúmes? E com razão, ainda por cima.

11:46 da manhã  
Blogger Manuel Resende said...

Bentinho? Capitu?

2:13 da tarde  
Blogger Rui Lage said...

O par amoroso do "Don Casmurro" de Machado de Assis. Então os casmurros não escrevem sob o signo do casmurro de Assis? Ou será casmurrice minha?

3:45 da tarde  
Anonymous F. C. Quintais said...

Começo a divertir-me com estas casmurrices. Ainda agora aqui cheguei e, apesar do meu estado patologicamente casmurro, deu-me para sorrir. Este blog é um achado que não tenciono largar de mão enquanto não explorar todas as suas potenciais (ou ssenciais?) casmurrices. Tem sabor, cheiro e sarro. Sabor a presunto, cheiro a maçãs camoesas, e o sarro próprio e iniludível das pipas de Lafões, antes da vindima.
O mesmo seria dizer que há nele uma certa circunstância dionisíaca, não o do velho baco, mas a saudável musculatura do mesmo quando era jóvem (deixem-me acentuar o jóvem, sim!?).
Fernando Q(asMurro).

6:14 da tarde  

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