11.2.04

Post Scriptum #137

Giórgos Markópoulos (1951-)
Depois do Kaváfis, voltemos à vaca fria, Giórgos Markópoulos, o poeta das cenas quotidianas. Tenho ali na gaveta um poema sobre o Pireu que me está a dar água pela barba. Como não está pronto, aí vão dois pequenos textos do mesmo.

A MINHA MÃO, A MINHA ALMA, NAUFRÁGIOS

A minha mão no teu cabelo,
serpente que se enrosca no seu ninho depois de ter feito mal.

A minha alma levemente suja como fato branco de verão.

Sobre os naufrágios aparece o Sol cansado.


ÉPICA

Era um que era popular na praça e nos negócios,
até que de repente descobriu a poesia.
Por todo o lado começou tudo a dar para o torto.
A mulher deixou-o uma tarde.
Vede lá onde dorme agora.

Por cima do túmulo voam pássaros.

Os pirotécnicos