9.2.04

Post Scriptum #134

Philip José Farmer (E.U.A., n. 1918) é um dos autores de livros de ficção científica mais apreciados do mundo. Em Portugal, tem para cima de 20 livros traduzidos. Mas Farmer é também autor de livros de ensaio e poesia. Hoje, apresentamos "O Pterodáctilo", um dos seus poemas, numa tradução de Nicolau Saião.


O PTERODÁCTILO

Remoto pai primevo de esvoaçantes plumas futuras
pelo cerebral jurássico vais num estremeção
de asas coriáceas temeroso
de te embrenhares nos lameiros onde os sáurios
resolvem seus assuntos de ilhargas e dentes.
Predador metafísico de dedos alados
o canto entorpecente dos teus intestinos
revela o entusiasmo com que absorves
saborosos ectoplasmas esbanjando
o teu fogo interior que pressagia
a imagem futura de um esqueleto
morto na tentativa de ficar.

Bicudo resumo da incorpórea ideia
passarola batida pelas lufadas de vento
cruzas abstractas névoas invadindo o mar da Obra.
Devoras estranhos peixes desenvolves
largas penas brilhantes e recobres
com a carne da forma os ossos do conceito.

Assim deriva
do acto de Beleza a beleza do Acto.

Tradução de Nicolau Saião.