Post It #58
Guerras de Alecrim e Manjerona
Sobre o terrível combate entre linguistas e literatos em torno do ensino da língua, recebemos uma mensagem dum conhecido linguista de Poitou-Charentes que, como se diz agora, não queremos deixar de partilhar com os nossos leitores:
“[A ambiguidade derivacional da palavra « linguista »] permite a certos locutores astuciosos um jogo de palavras da mesma natureza [que o permitido pela palavra “pedagógico”]. Com efeito, em ambos os casos, um adjectivo de aspecto douto remete simultaneamente para um termo da língua corrente (neste caso “ensino”, naquele “língua”) e para uma disciplina douta constituída, ou que como tal se apresenta (a pedagogia e a linguística). Esta situação permite em ambos os casos aos gaios enfeitarem-se com as penas do pavão, jogando com a ambiguidade: assim como reivindicam uma “qualificação pedagógica” pessoas que de facto apenas têm uma certa experiência prática do ensino, assim também proclamam a sua “competência” ou os seus conhecimentos “linguísticos” pessoas que se dedicam às línguas a títulos diversos (ensino, tradução, crítica literária, etc.). Há pois linguista e linguista, assim como haveria pedagogo e pedagogo se existisse uma ciência pedagógica.”
Daniel Couquaux, in Mitsou Ronat e Daniel Couquaux (org.), “La Grammaire modulaire”, ed. Minuit, 1986, p. 316.

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