O Povo É Sereno #49
É perfeitamente incrível, senhores espectadores! Agora que a existência de armas de destruição maciça nas arábias se transformou em ectoplasma, vem um Timothy Garton Ash, professor intercontinental e transcontinental não se diz de quê, transplantá-las no Público para o futuro hipotético, ficcionando um atentado bombista, e com bomba nuclear, se faz favor, posta em 2009 por duas jovens magrebinas expulsas do liceu por usarem lenço e esta frase já está maior que o meu espanto.
À falta de argumentos, acciona-se agora o medo, que funciona assim: “Pois, houve engano ou mentira, mas se não confiarem nos nossos governantes, então correm o risco de, em 2009, com governantes “descredibilizados”, fragilizados e sem forças e argumentos para manter a vigilância, apanharem com uma grandessíssima bomba. É isso que querem? Não? Então, deixem-nos lá mentir, que eles lá sabem como proteger-nos.”
Inqualificável! E já que estou com a mão na massa, tenho a declarar: não houve apenas “engano ou mentira” nesta questão das armas: houve massagem de dados e trituração de pessoas, houve estratégia deliberada.
Explico: Scott Rider, inspector americano das Nações Unidas, fartou‑se de alertar para a fragilidade das provas e qual o resultado? Era ridicularizado, provocado para se excitar (o homem facilmente ficava vermelho), arrastado na lama, atacado pessoalmente. Numa palavra: “descredibilizado”.
Explico outra vez, passando por cima do exemplo do suicida Kelly: o diplomata Joseph C. Wilson desmentiu, após inquérito oficial para que fora destacado, que houvesse compra de urânio em África por parte de Saddam. Alguns dias depois, o nome da mulher e a profissão dela (agente encoberta da CIA) era denunciado por um colunista de direita com altos contactos na administração Bush, dando cabo da carreira à senhora. Não é que espia seja profissão que me agrade, mas, ouçam lá, haja modos!

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