7.7.05

Que bem se está nos Aliados.



Teve lugar no auditório da Fundação Eng. António de Almeida, ontem à noite, um debate que juntou várias associações culturais e ambientalistas e muitos cidadãos portuenses interessados no destino da Avenida dos Aliados e da Praça da Liberdade. Em causa esteve o polémico projecto de Sisa Vieira e Eduardo Souto Moura. A iniciativa é de louvar, e teve o mérito de despoletar dezenas de intervenções de cidadãos mais ou menos anónimos. Do ponto de vista da participação cívica, foi um sucesso. Mas o debate pecou por não ter apresentado soluções para esse espaço apresentado como "o coração da cidade". Surpreendeu-me que nenhum dos oradores presentes na mesa tenha mostrado estar consciente de que os Aliados têm um grave problema de funcionalidade urbana. Limitaram-se a contestar o projecto numa corrida aos adjectivos mais duros com que qualificá-lo, e quase sempre se serviram de fracos argumentos e de um discurso mal articulado. A partir do momento em que se passou a palavra à assistência, o debate transformou-se rapidamente numa catarse colectiva em que cada um procurava mostrar-se mais revoltado e indignado que o interveniente anterior, como se houvesse ali uma competição para saber quem mais amava e venerava a cidade do Porto. Não digo que a revolta e a indignação não fossem sentidas, ou, em muitos dos casos, plenamente justificadas, mas como não se discutiu de cabeça fria e como não se tiveram em conta todos os aspectos do problema, o debate resultou improdutivo, ainda que dele tenham saído uma série de abaixo-assinados.
Do meu ponto de vista, há três pontos essenciais a ter em consideração:

1- A falta de cultura democrática de Rui Rio é o aspecto mais grave de todo este processo. Que dizer de um homem que hostiliza tudo e todos, que compra guerras a um ritmo frenético, que se recusa a ouvir sugestões, opiniões ou pontos de vista diferentes dos seus? Que dizer de um homem que não aceita ou encaixa uma crítica? Que se faz constantemente de vítima, na linha da melhor escola santanista? Que dizer de um homem que, ao invés de promover o debate público, de encorajar o envolvimento dos cidadãos, de querer ouvi-los, faz precisamente o contrário, fechando-se em copas e tapando os ouvidos? Trata-se do grau zero da pedagogia cívica e política por parte de quem tinha a obrigação de dar o exemplo. Só por isto Rui Rio merece ser severamente castigado pelos cidadãos do Porto nas eleições autárquicas do próximo mês de Outubro.

2- O projecto de Sisa Vieira e Souto Moura é um projecto viciado à partida porque, em lugar de aliviar o peso do trânsito e devolver os Aliados aos peões, cede perante a ditadura do automóvel. Ora isso não é requalificar ou reabilitar coisa nenhuma, mas apenas maquilhar o espaço apelidado de "sala de visitas" do Porto. Não é de uma operação de cosmética que os Aliados necessitam, mas de uma intervenção profunda e que tenha em conta as acessibilidades. Com uma estação de metro que vem respirar à superfície bem no centro da Avenida, podia-se muito bem limitar a circulação automóvel aos transportes públicos. Mais uma vez, faltou a coragem.

3- A massa crítica da cidade que se opõe ao projecto pretende que os Aliados permaneçam incólumes, que tudo fique como está. Ora é precisamente aqui que erram e aqui que perdem a razão. Foi num ápice que o Porto, onde o granito é rei e senhor - o que lhe confere a tão característica e apreciada tonalidade cinzenta - se mudou, perante o olhar enternecido de respeitáveis figuras da cidade (alguns deles arquitectos) numa virgem branca e luminosa ameaçada por um escuro monstro de pedra. Subitamente, como que por artes mágicas, os Aliados, que são apenas um lugar de passagem para quem quer ir aos bancos, ao correio, à C.M.P. tratar de papelada ou apanhar o autocarro, tornaram-se num local aprazível, usufruído e frequentado por todos. As placas centrais, enfeitadas com canteiros de flores e mobilada com uns quantos bancos de jardim passaram, de um dia para o outro, a ser um ponto de encontro, um sítio de convívio e reunião onde pais e filhos passeiam, casais de pombinhos namoram, ruidosos amigos falam de futebol e velhinhos jogam placidamente às cartas enquanto deitam, por cima do ombro, um comovido olhar aos netos que brincam na lustrosa brancura da calçada portuguesa. Tal cenário é pura ficção e nunca, em momento algum, correspondeu à realidade. Afirmar o contrário é desonestidade intelectual. Como é que os cidadãos do Porto podem usufruir dos Aliados se nada há nos Aliados para ser usufruído? A não ser que se esteja a pensar nas cinco ou seis ocasiões anuais em que o Porto ali acorre em massa (S.João, passagem de ano e vitórias do F.C.P.). Mas para isso tanto adianta o que lá existe neste momento como outra configuração qualquer, porque nessas ocasiões os automóveis praticamente não circulam. É dar um salto aos Aliados depois de jantar e verificar o quanto os portuenses usufruem desse espaço. Encontram-no, é claro, completamente deserto. Muitos dos que agora apresentam a "sala de visitas" do Porto como um espaço aprazível e humanizado não se preocupam, ao longo do ano, em frequentar os poucos cafés que ainda ali resistem, à custa de muito sangue, suor e lágrimas. Não é lá que vão tomar o cimbalino, isso é garantido. A isto, senhores e senhoras, chama-se demagogia. Qualquer discussão séria terá de passar pela proposta de alternativas ao actual cenário.

13 Comments:

Blogger Manuel Resende said...

Tens razão, e uma das coisas que mais me impressionam no Porto é que a decadência do seu centro se deve, não a um atraso, mas a uma modernidade: os centros comerciais bateram o centro da cidade, descentraram-na. Aí está a causa dos cinemas que se acabam, da vida que morre.

Ora, em várias cidades que conheço, fez-se do centro histórico algo de vivo, proibindo ou limitando o trânsito automóvel, criando centros de interesse, actividades culturais, reabilitando o "comércio tradicional" (aqui, para nós, mentira, porque várias lojas em ruas pedonais não são mais do que franchises - é assim que se chama?- de grandes marcas).

Não é favorecendo o automóvel que se recupera a sala de visitas...

6:55 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Desonestidade intelectual é o que aqui se exibe: parece que o autor deste texto descobriu a pólvora! Ora foi dito claramente por vários dos oradores da reunião pública de ontem que um dos aspectos mais nefastos do projecto para a Av. dos Aliados/Praça da Liberdade é justamente o excesso de trânsito automóvel que ele permite.

O autor do texto fala do uso da praça nos últimos anos, durante os quais ela foi palco de obras, embaraços de circulação, destruição de árvores, poluição desmedida, etc; além disso o trânsito naquela zona da Baixa, onde não mora ninguém, vem-se acentuando há vários anos. Nestas condições, não surpreende que a presença humana ali se rarefaça. Não se pode é tirar daí ilações erradas: isto não impede que se reponha a traça da avenida, melhorando aspectos de funcionalidade para que ela venha a ser essencialmente pedonal.

M. Carvalho

10:22 da tarde  
Blogger Rui Lage said...

M. Carvalho, a questão do trânsito foi focada por três ou quatro pessoas, mas não constituiu o prato forte da reunião onde a nota dominante foi a nota emotiva que em nada serve a cidade. Não pretendo aparecer como o inventor da pólvora, pois qualquer pessoa com um mínimo de senso percebe que a requalificação dos Aliados (e de muitas outras zonas da baixa portuense) tem que passar por fortes restrições à circulação automóvel. Isto não é uma ideia nova e muito menos minha: é uma simples constatação, análoga à que se faz em tantas cidades por esse mundo fora. O que eu pretendi com este texto foi apenas fazer um ponto da situação de acordo com a minha visão do problema e denunciar a hipocrisia e a demagogia daqueles que dão os Aliados, num súbito passe de mágica, como um espaço para onde as pessoas vão passear e conviver - o que é completamente falso.

Diz que falo do "uso da praça nos últimos anos". Mas então deviamos falar de que praça? Da que foi "usada" em finais do século XIX? O que está em causa é o presente e o futuro, não o passado.

Melhorar aspectos de funcionalidade? De acordo. Mas que é feito das propostas nesse sentido? Onde estão as soluções e as alternativas ao projecto de Sisa e Souto Moura? É que se as tinham na reunião de ontem, guardaram-nas todas para uma outra ocasião.

11:48 da tarde  
Blogger manueladlramos said...

O pior cego é o que não quer ver, o pior surdo é o que.., o pior... etc. (variações em sol menor ;-(.
É realmente extrordinário e sobretudo significativo que o sr Rui Laje tenha estado na sessão e tenha conseguido sintetizar a participação das pessoas da mesa nesta frase: «Limitaram-se a contestar o projecto numa corrida aos adjectivos mais duros com que qualificá-lo, e quase sempre se serviram de fracos argumentos e de um discurso mal articulado...»!

Mas Sr. Rui Laje não percebeu aliás que objectivo da sessão que NÃO ERA "... ter apresentado soluções para esse espaço apresentado como "o coração da cidade"!? O objectivo da reunião era fundamentalmente dar a conhecer as razões pelas quais algumas associações ambientalistas e culturais e um enorme vastíssimo número de cidadão portuenses estão contra este projecto: primeiro e fundamentalmente pelo facto de estar a ser imposto à cidade sem consulta pública. Num discurso mais que bem articulado a M ª de Carvalho (que aliás já teve a pachorra de lhe responder) citou a lei e explicou calma e ponderadamente o que estava em causa. Também muito calma e ponderada explicou outros ilegalidades do processo nomeadamente as respeitanestes ao aspecto partimonial e ambiental.
Conhecia-as?

O aspecto patrimonial é muito importante: Não se trata meu caro senhor de defender nenhuma virgem pura vestida de branco e foi justamente por isso que os organizadores da reunião convidaram o prof. (da UP) J.A, Rio Fernandes, geógrafo, especialista da cidade do Porto. Este a abrir a sessão (não me parece que o Sr. RL tenha estado lá nessa altura, pelo seu defecientíssimo relato é quase impossível...) explicou factualmente as razões pelas quais aquela zona é uma zona histórica e patrimonial, e realçou de um modo excelentemente ARTICULADO, apoiado por material multimédia para ajuadar na compreensão (mas pelos visto não foi ainda assim suficiente) as razões desta historicidade. Para além disso, e no âmbito da evolução moderna das cidades, explicou o alcance do conceito de "metrópole policêntrica", assim como versou sobre a necessidade de se "desmultiplicaremm" as intervenções urbanísticas deixando de lado as grandes operações formais e optando por pequenas intervenções localizadas e descentralizadas. E focou outro aspecto relevante: o aspecto economico social...

mas francamente não estou para perder mais tempo, apesar de haver outros aspectos importantíssimos que sem exaltação e ponderação foram focados pelos oradores e depois reiterados pela assistência, que lhe escaparam em absoluto.
Lamentável (na minha opinião) o seu serviço de porta-voz do QFeM. Mas leia os jornais de hoje e dê um saltinho ao blog de onde tirou essa fotografia.

Cumprimentos

9:38 da manhã  
Blogger floreseabelhas said...

Também eu fui ao debate, mas saí após as duas primeiras intervenções. Esperava muito mais de Rio Fernandes e Rui Moreira. Agora, passados alguns dias, só consigo lembrar-me do coração e do D. Pedro, bem como da enorme infelicidade que significou para todos os portuenses a destruição do romântico jardim da Cordoaria e do maravilhoso jardim de Montevideu. Gostaria de ter visto os palestrantes tão nostálgicos desses espaços a passearem por lá, entre prostitutas e toxicodependentes, usufruindo da beleza e traquilidade dos locais. Os actuais projectos, sujeitos a uma propositada degradação (que ninguém parece ver, apesar do amor aos locais), podem não ser os mais indicados, mas o que existia já não era nada.
Admito o gozo que me daria atacar um projecto defendido por Rui Rio, mas, para já, não consigo.
O argumento da tradição não me parece suficiente. De repente, poderia lembrar-me de uma data de tradições pouco recomendáveis.
E como pode alguém que ataca a substituição da calçada à portuguesa por granito, ter, recentemente, criticado a não execução do projecto de Virgínio Moutinho para a praça Carlos Alberto? Era mais granito contra a calçada...
Também eu tenho muita pena das magnólias, mas confesso não querer saber do cavalo de D. Pedro. Esperando não ser crucificada pelo meu estado de (ainda) indiferença, assim me calo porque não sei o que aconteceu no resto do debate.

12:24 da tarde  
Blogger Rui Lage said...

É impressionante. Mal se abrem as hostilidades, lá vem o "sr.". Como é que o "senhor" passou, em poucos anos, de um tratamento pessoal respeitoso a uma desconsideração ou despromoção do interlocutor é coisa que os linguistas portugueses ainda terão de explicar.

1-Eu não sou, Manuela Ramos, porta-voz do Quartzo nesta matéria, como insinua, nem, aliás, em nenhuma outra. Não sou porta-voz de ninguém a não ser de mim mesmo.

2- Tal como a Manuela Ramos tem o direito de discordar do meu texto, de achá-lo lamentável e por aí fora, eu tenho o direito de achar que os oradores da mesa "se serviram de fracos argumentos e de um discurso mal articulado". É o que penso.

3- Se o objectivo da sessão não era "ter apresentado soluções para esse espaço apresentado como "o coração da cidade", então devo dizer-lhe que, no que toca à pedagogia, estamos conversados. Assim tudo fica mais claro: o principal objectivo era "cascar" no projecto. Mas "cascar" no projecto sem apresentar soluções alternativas não passa de um logro (eu sei, eu sei, é mais difícil apresentar soluções do que "cascar"). É que não basta confrontar os cidadãos com os problemas, é também necessário confrontá-los com soluções para esses mesmos problemas. Isso é que é estimular o sentido crítico e promover o civismo. Grave é ninguém ter sido ali capaz de admitir que os Aliados, na sua actual configuração, não servem de forma alguma a cidade - isso, Manuela Ramos, é que é cegueira. A única pessoa que pôs o dedo na ferida foi um senhor que se encontrava na assistência e que, paradoxalmente, defendia o projecto de Sisa e Souto Moura! Mas olhe, apesar dessa pessoa ter declarado ser a favor do projecto, fez, numa corajosa intervenção, o melhor diagnóstico do mal que afecta os Aliados...

4- Reconheço, não obstante, que as explicações e esclarecimentos quanto ao enquadramento legal do processo foram proveitosos. Devia tê-lo referido no meu texto, é um facto.

Cumprimentos e felicitações pela iniciativa.

12:47 da tarde  
Blogger Rui Manuel Amaral said...

Infelizmente, não consigo compreender certas coisas. Lamento, sou burro. Não consigo compreender como o texto do Lage pode desencadear reacções tão acaloradas. O Rui Lage começa justamente por dizer que Rui Rio impôs o projecto à cidade, sem possibilidade de discussão pública. Depois faz um diagnóstico muito justo do que tem sido a Avenida dos Aliados nas últimas décadas: um local de passagem para os automóveis. Ponto final. (talvez apenas com a honrosa excepção do Guarany.) Donde, não se compreende porque diabo é tão importante preservar a avenida tal como está ou mais ou menos parecida. Isto não quer dizer que o projecto de Siza e Moura seja a melhor das soluções. Também tenho dúvidas. Mas também não estou certo de que os contestatários estejam cobertos de razão.

2:49 da tarde  
Blogger manueladlramos said...

Pois... estamos todos à espera que se decidam se gostam ou não! Puxa! Que lentidão! Depois de férias talvez. Não é uma questão de gosto, meus "senhores e as senhoras" ;-)
Entretanto enquanto se decidem já foi enviada a queixa ao Ministério Público
(desculpem mas estou com pressa )

4:32 da tarde  
Blogger loucomotiva.com said...

De facto achei impressionante o que um texto politicamente correcto, com uma análise cuidada e, ao contrário do que tem sido frequente neste tema, sem lugar a presunção da razão, despoletou uma série de insultos (porque nem só de palavrões se tenta atingir as pessoas).
Eu também fui perder tempo para ouvir o que se diria em tal debate, cuja organização felicito por fazê-lo, embora o tenha feito nos mesmos moldes que Rui Rio tem vindo a fazer política e a gerir as obras na cidade, de uma forma pouco aberta à tolerância e bastante tendenciosa. O meu intuito, sendo eu defensor do projecto de Siza Vieira e Eduardo Souto Moura (arquitectos de renome internacional que no Porto sempre são alvo de dura contestação, mas que será a primeira a nomear uma Rua dos mesmos a título póstumo), era o de perceber o que realmente preocupava em especial ambientalistas, de modo a repensar a minha ideia sobre o projecto caso este apresentasse graves problemas a nível ambiental. O que se ouviu foi a defesa do calcário (não sei o que terá o calcário de mais ambiental que o granito, quando este primeiro provoca problemas de segurança pedonal numa cidade com tão forte pluviosidade como o Porto), dos canteiros e alguns, nomeadamente o Arq. Polido Valente defender o corte do tráfego rodoviário chegando mesmo a considerar o projecto mau (nunca tinha visto um arquitecto a avaliar desta forma um projecto a partir de uma planta à escala 1/2000). Pena foi o mesmo arquitecto num gesto de grande petulância, ter no final da sua intervenção se ausentado do local num acto de pura auto-glorificação perante a plateia que o aplaudia exaustivamente, nem Rui Rio o conseguiria fazer de forma tão arrogante. Rio Fernandes também não esteve a bom nível, arrogante, possuidor da chave do sucesso para a cidade, armadilhado de gráficos copiados dos compêndios académicos, defendendo-se com uma ou outra mentira sobre a evolução do Porto, algo que não me surpreendeu tratando-se de um geógrafo a avaliar Cidade. Ele mesmo fez sair algumas pessoas da sala indignadas com o ?remate inicial?, felizmente pouparam-se a ouvir o ?remate para o golo? onde proferiu outro erro ao defender que se deviam preocupar com outros problemas na cidade como a avenida da ponte (querendo-se certamente referir à Avenida D.Afonso Henriques), ironicamente o Arq. Siza Vieira está há mais de 10 anos a defender uma proposta encomendada para a avenida citada e que devido à eterna discussão que se gera no Porto, ainda nada foi feito. Rui Moreira também fez o seu papel, quanto a mim legítimo, porque apenas falou como cidadão independentemente de estar em desacordo com alguns temas que defende.
Mas afinal o que se estava ali a defender?
A Avenida dos Aliados surge no início do século XX por exigência camarária a fim de resolver o tráfego rodoviário que viria de sul através da ponte D.Luiz I, receber a população que chegaria da província através da recém construída estação de S.Bento, bem como criar um espaço à escala de grande cidade europeia para acomodar os futuros paços do concelho. Resultado de todo esse processo, quanto a mim mal gerido, foi a destruição do casco setecentista entre a Praça da Liberdade (com a avenida deixou de ser de facto uma praça) e o Largo da Trindade que anos mais tarde, já na década de 50, foi encerrada pela actual Câmara Municipal. Daí resulta a Avenida dos Aliados de influência Haussmaniana que pouco tinha a haver com o Porto, bem como da migração do calcário do sul do país. Esta intervenção significaria hoje destruirmos o quarteirão da Rua de Cedofeita e criarmos uma Avenida ao estilo ?Time Square? de Nova Iorque. Mas a verdade é que o espaço consolidou-se e hoje ninguém conseguiria imaginar o Porto sem a Av. dos Aliados. A proposta actualmente em curso o que tenta é criar novas condições para o uso que a cidade foi exigindo àquele espaço. Também estou de acordo que se poderia aproveitar a oportunidade para restringir o tráfego rodoviário naquela artéria o que, se em sentido Norte-Sul, actualmente a cidade não oferece grandes opções, o mesmo não se passa no sentido Sul-Norte com a Rua Sá da Bandeira e a Avenida D.Afonso Henriques que está a ser alvo de uma requalificação.
Uma vez mais se aproveitou para linchar o trabalho desenvolvido pela Porto 2001. Obviamente que tratando-se de uma oportunidade única para se requalificar a cidade, estando tantas obras em curso, nem tudo seria um mar de rosas de opções brilhantes e muito menos consensuais (algo impossível no Porto). No entanto, mente quem disser que o Porto está pior, pois certamente não se recorda de como estava degradado o nosso espaço público, como eram frequentados os jardins românticos que tanto recordam (curiosamente os passeios do romântico foram requalificados e eu cruzo-me com muitas poucas pessoas para além dos residentes naquele passeio da cidade), se tiveram dúvidas sobre o que refiro aconselho a compra de um trabalho fotográfico realizado com imagem do antes e depois chamado ?Registos de uma transformação?.
Seria bom que a oportunidade da reunião da passada semana fosse para dialogar, debater, que é sem dúvida uma gralha deste processo em torno das obras na Av. dos Aliados, no entanto o que assisti foi a um conjunto de críticas por vezes mal argumentadas de um grupo de pessoas que se mostrou intolerante a opiniões contrárias e com pouca disposição para o debate, ao bom estilo de Rui Rio.
Nem mesmo um texto como o redigido por Rui Lage consegue travar a ostracização.

3:58 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Eu também estive presente e gostei muito do que ouvi. Gostei da maneira pausada e articulado como as pessoas que estavam na mesa apresentaram os seus pontos de vista: o dr. Rui Moreira focando mais o aspecto sentimental e afectivo, o Dr Rio Fernandes realçando o aspecto patrimonial, delineando a génese daquela zona em que surgem configurados pelo menos três momentos históricos bem distintos e fundamentando o ponto de vista segundo o qual actualmente se devem privilegiar intervenções que respeitem as características das cidade e não intervir de modo uniformizante destruido o que é único e impondo a contemporaneidade indiscriminadamente. Em seguida falou a Dr. Maria de Carvalho essa ainda mais pautadamente enumerou e leu excertos das leis alegadamente violadas neste processo e que já levaram a que seguissem em Maio uma carta queixa para o provedor da Justiça e agora uma queixa ao Ministério Público . As ilegalidades atingenm valores como democracia , património, ambiente. Na parte do debate aberto ao Publico as pessoas foram intervindo ordenadamente algumas com bastante humor;apenas uma levantou a voz a favor do projecto e perante o burburinho que de vez em quando se levantava logo se ouvia por todo o lado "shius" para impor o silêncio e deixar que a pessoa acabasse. Foi também no espaço do público que interveio o arquitecto Pulido Valente e que Rio Fernandes deu a sua opinião sobre o projecto. A reunião correu ordeiramente e foi bastante esclarecedora, para além disso serviu para que eu assinasse o manifesto o que ainda não tinha feito. Na sala estavam muito mais do que cem pessoas, estavam bem perto de 300. Gostei.
Eléctrico manso ;-)

7:27 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

bla bla bla bla bla
intelectuais de merda deixaram destruir aquilo

9:04 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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Anonymous Anónimo said...

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6:48 da tarde  

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