15.7.05

O petisco que alguns adoram

Nisto de gastronomia, já lá o dizia Brillat-Savarin, "Não há como visitar os lugares onde as preparações são efectuadas".
Baseado neste salutar princípio, utilizei algum do meu tempo a incursionar na Rede.
E acontece que encontrei uma receita adequada, no caso vertente numa Casa que - apesar de não ser um gastrónomo que vai a todas - nunca me deixou faminto.
Refiro-me a "Rua da Judiaria", local onde encontro inteligência e humor mas também coisas a sério - muito a sério!
Aqui vos deixo portanto este fragmento, um verdadeiro petisco que não deixará ninguém com estômago em condições indiferente.
...Embora, se eu me tivesse encontrado, como entrevistador, com o pitéu entrevistado, talvez tivesse perdido a vontade de comer durante uns dias. É que há pratos que nos deixam muito enjoados. Enjoados e enojados.
Aqui fica a preparação, dedicada a quem gosta de comidas bárbaras...

Fragmento de entrevista feita por um jornalista a um sr. Omar Bakri

P.Mas o que pode justificar matar deliberadamente milhares de civis inocentes?
R. Nós não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e descrentes. E a vida de um descrente não tem qualquer valor. Não tem santidade.
P. Mas havia muçulmanos entre as vítimas.
R. Isso está previsto. Segundo o Islão, os muçulmanos que morrerem num ataque serão aceites imediatamente no paraíso como mártires. Quanto aos outros, o problema é deles. Deus mandou-lhes mensagens, os muçulmanos levaram-lhes mensagens, eles não acreditaram. Deus disse: "Quando os descrentes estão vivos, guia-os, persuade-os, faz o teu melhor. Mas quando morrem, não tenhas pena deles, nem que seja o teu pai ou mãe, porque o fogo do Inferno é o único lugar para eles".(...)
P. O Corão diz isso?
R. Sim. As pessoas não percebem, porque a televisão e os jornais só entrevistam os seculares. Não falam com quem sabe. Os seculares dizem que "o Islão é a religião do amor". É verdade. Mas o Islão também é a religião da guerra. Da paz, mas também do terrorismo. Maomé disse: "eu sou o profeta da misericórdia". Mas também disse: "Eu sou o profeta do massacre". A palavra "terrorismo" não é nova entre os muçulmanos. Maomé disse mais: "Eu sou o profeta que ri quando mata o seu inimigo". Não é portanto apenas uma questão de matar. É rir quando se está a matar.
P. Isso quer dizer que o terrorismo é natural e legítimo?
R. Só é legítimo o terrorismo divino.(...)

21 Comments:

Anonymous Filipe Guerra said...

Como homem que pensa e quer dar um rumo de pensamento à sua vida, tento não o fazer através de qualquer abstracção ou prática religiosas e procuro outros instrumentos de orientação que considero mais racionais. Tudo isto no meio de grandes dúvidas e de grandes erros. Por isso tento não me orientar pelo cristianismo, pelo islamismo ou pelo judaísmo. Mas não se pode negar a existência das religiões, e é mesmo legítimo compará-las. Ainda mais legítimo é criticá-las sem o parti-pris que as comparações implicam. Não se pode é condenar milhões de pessoas que têm uma religião como orientação e donde bebem os seus valores ou des-valores morais em nome do que diz um indivíduo (ou vários) ou em nome de outra religião adversária para justificar este espírito de cruzada medieval, este retrocesso no pensamento humano. Não sei com que intuito a Rua da Judiaria o fez, mas creio sabê-lo no que se refere a Nicolau Saião: obsessão pelo protagonismo. Tomou a parte pelo todo e, com a roupagem vistosa da bela literatura, expressou simplesmente um pensamento para mim abominável. É simplesmente nojento, este prato, ou seja, este post. Não posso continuar a participar num blogue que assim se vê conspurcado. Com as minhas desculpas aos leitores e comentadores, a quem me convidou para aqui, a quem me tem apoiado e criticado, comunico que este comentário é a minha última intervenção no Quartzo.

9:53 da manhã  
Blogger sandra costa said...

Só quem não conhece o Nicolau pode tecer estas considerações.

11:01 da manhã  
Anonymous Filipe Guerra said...

Esclareço que este post, sozinho, não seria susceptível de me gerar tanta indignação, mas vem na sequência, e culmina, comentários de NS e de outros que veiculam claramente esta ideia: os islâmicos são potencialmente terroristas porque lhes está na religião e na história. Há cinco séculos dizia-se o mesmo. Não só se diz que os terroristas são islamistas como se insinua que os islamistas são terroristas.

12:03 da tarde  
Anonymous Nuno de Matos Duarte said...

Se me é permitido um comentário - perdoe-me Filipe Guerra, mas que despropósito e exagero na reacção ao texto "O Petisco que alguns adoram". Trata-se de um texto que espelha uma realidade, não generalizável mas, não adianta negá-lo - de uma realidade. Não pretende seguramente NS tomar partido ou condenar uma religião, nem procurar protagonismo pessoal, como insinua (que lucram as pessoas que amam as artes e as promovem apenas pela alegria de as ver desabrochar?) - NS apenas escreveu sobre pessoas reais que de facto pensam daquela forma e justificam a barbárie com a religião, seja ela "dita" islâmica, cristã ou hindu.

1:39 da tarde  
Anonymous Filipe Guerra said...

Nuno de Matos Duarte, remeto para o meu segundo comentário, anterior ao seu. Quem seguiu a polémica que tem andado aqui há vários dias, compreenderá que este post é sequência, ou consequência, de uma ideia que algumas pessoas querem impor aqui. Têm esse direito, e eu também tenho o direito de o repudiar e considerar que não vale a pena voltar a bater no ceguinho, as pessoas estão demasiado arreigadas aos seus princípios para se ouvirem umas às outras.

2:13 da tarde  
Anonymous nuno de matos duarte said...

Caro Filipe Guerra, o que me fez mais impressão foi ter-se abandonado a argumentação e ter-se passado aos ataques e ofensas pessoais. Penso não haver motivos para isso. Mas tenho colaborado apenas como leitor do blogue e, como tal, não queria adiantar muito mais sobre este assunto e muito menos alimentar mais a polémica. Cordialmente, nuno de matos duarte

8:19 da tarde  
Anonymous Margarida Vale de Gato said...

Também fiquei perplexa com o post. Sobretudo pela generalização: ao menos na R. da Judiaria diz-se que a entrevista é a um auto-proclamado líder da AlQaeda na Europa (coisa que também não deve ser, senão não o deixavam andar por aí à solta...). Agora falar de um "senhor" é generalização...
Ao contrário do Filipe, porém, não percebo esta sequência de comentários como uma declaração de guerra do cristianismo ao islamismo. Aliás estou confusa. Já me tem parecido uma declaração de guerra da democracia à teocracia. Em qualquer dos casos, acho que é um entrincheiramento que não resolve nada. Mas por outras coisas que tenho lido dele, quero crer que o Nicolau é bom tipo. As alianças têm de facto pouca base de sustentação sem conhecimento pessoal, sem vida (que não virtual) comum. Mas não estará o Filipe também a precipitar-se na incompatibilidade? Para mim, ter de desistir de dialogar causa grande mágoa. E fico triste pelo Filipe ter chegado a esse estado.
Está manifesto no blog que este é um assunto que toca muito a todos. Mas aí estou com o Nuno Matos: será isso motivo para tomarmos atitudes valorativas em relaçáo às pessoas concretas com tanta radicalidade?
Se o Filipe não reconsiderar, sempre lhe quero dizer o que já sabe: foi um excelente colaborador (só tenho pena que às vezes seja um pouco intempestivo como comentador; há sempre a hipótese do malentendido, nós já tivemos um. Devia ao menos ter dado espaço ao Nicolau para se justificar, talvez reconhecer o exagero... Bom, lamento.)

10:50 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

Margarida:

É mesmo um líder da AL Qaeda na Europa.

Se quiser vá ao Rimbaud Worrier.

É isso que o Nicolau não quer perceber.

12:23 da manhã  
Anonymous Filipe Guerra said...

Em especial para a Margarida, porque faz parte do blogue como itálica, uma comentadora privilegiada, tal como eu. Não vejo porque não se deva abordar as ideias do ângulo pessoal quando, neste meio interactivo de debate com caixa de comentários e tudo, as ideias são inseparáveis do seu veículo. Quando se trata de anónimos e pseudónimos que nos insultam e nós podemos insultar, ainda pode parecer-nos que estamos no reino da abstracção, que as ideias não têm cara. Mas quando damos o nome, mais vale ser franco e assumir o carácter pessoal da polémica. Não está em causa o facto de NS ser o homem recto e generoso que tem mostrado ser; assim, enquanto tal, pode não aceitar o que eu digo e ofender-se, mas pelo menos isto vai compreender, já que ele tem agido também no domínio do pessoal. Só ontem, depois de reler com mais atenção os posts e comentários antigos sobre o terrorismo concluí que NS e outros defendiam mesmo a ideia de que «islamismo é terrorismo» e que envolviam isto numa argumentação em que entrava de tudo, desde anticomunismo a comparações impossíveis de sistemas políticos e doutrinas religiosas. A mim, isto evoca uma espécie de inquisição de séculos atrás, a reintrodução de um inimigo da nossa «fé» à boa maneira medieval. É reaccionário. A minha ideia e o meu princípio de pensamento é outro, por isso me afasto de membro, embora menor porque itálico, de um blogue em que um membro da redacção, pelo menos, defende estas ideias retrógradas. Podem considerar isto um ataque pessoal a Nicolau Saião enquanto membro da redacção de um blogue, logo, feitor da opinião política desse blogue. Fiquei ofendido PESSOALMENTE neste «os que comem disto» do seu último post, a gota de água, com a agravante de não ser dito directamente como era costume saudável de NS. Com a agravante ainda de ele criar um post novo (este) para passar a discussão para o seu campo, quando a discussão poderia muito bem continuar no post de Ruy Ventura sobre o mesmo assunto (aliás, NS não foi o primeiro a fazê-lo) e por isso o acusei directamente de desejo de protagonismo (o que não é muito grave, diga-se).

8:59 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

La dernière lettre de Manouchian à sa femme

Ma Chère Mélinée, ma petite orpheline bien-aimée,
Dans quelques heures, je ne serai plus de ce monde. Nous allons être fusillés cet après-midi à 15 heures. Cela m'arrive comme un accident dans ma vie, je n'y crois pas mais pourtant je sais que je ne te verrai plus jamais.
Que puis-je t'écrire ? Tout est confus en moi et bien clair en même temps.
Je m'étais engagé dans l'Armée de Libération en soldat volontaire et je meurs à deux doigts de la Victoire et du but. Bonheur à ceux qui vont nous survivre et goûter la douceur de la Liberté et de la Paix de demain. Je suis sûr que le peuple français et tous les combattants de la Liberté sauront honorer notre mémoire dignement. Au moment de mourir, je proclame que je n'ai aucune haine contre le peuple allemand et contre qui que ce soit, chacun aura ce qu'il méritera comme châtiment et comme récompense. Le peuple allemand et tous les autres peuples vivront en paix et en fraternité après la guerre qui ne durera plus longtemps. Bonheur à tous... J'ai un regret profond de ne t'avoir pas rendue heureuse, j'aurais bien voulu avoir un enfant de toi, comme tu le voulais toujours. Je te prie donc de te marier après la guerre, sans faute, et d'avoir un enfant pour mon bonheur, et pour accomplir ma dernière volonté, marie-toi avec quelqu'un qui puisse te rendre heureuse. Tous mes biens et toutes mes affaires je les lègue à toi à ta s?ur et à mes neveux. Après la guerre tu pourras faire valoir ton droit de pension de guerre en tant que ma femme, car je meurs en soldat régulier de l'armée française de la libération.
Avec l'aide des amis qui voudront bien m'honorer, tu feras éditer mes poèmes et mes écrits qui valent d'être lus. Tu apporteras mes souvenirs si possible à mes parents en Arménie. Je mourrai avec mes 23 camarades tout à l'heure avec le courage et la sérénité d'un homme qui a la conscience bien tranquille, car personnellement, je n'ai fait de mal à personne et si je l'ai fait, je l'ai fait sans haine. Aujourd'hui, il y a du soleil. C'est en regardant le soleil et la belle nature que j'ai tant aimée que je dirai adieu à la vie et à vous tous, ma bien chère femme et mes bien chers amis. Je pardonne à tous ceux qui m'ont fait du mal ou qui ont voulu me faire du mal sauf à celui qui nous a trahis pour racheter sa peau et ceux qui nous ont vendus. Je t'embrasse bien fort ainsi que ta s?ur et tous les amis qui me connaissent de loin ou de près, je vous serre tous sur mon c?ur. Adieu. Ton ami, ton camarade, ton mari.

Manouchian Michel.

P.S. J'ai quinze mille francs dans la valise de la rue de Plaisance. Si tu peux les prendre, rends mes dettes et donne le reste à Armène.
M. M.M.

10:12 da manhã  
Anonymous j.p.l. said...

Primeiro o M. Resende, agora o F. Guerra. Isto está a ficar só com cebolas ou será que é só com rosas? A questão é saber o que cai, se são as pétalas ou se são as cascas. A desfolhada, essa, está à vista de todos. É bolbo ou botão? Como resolver este melindroso dilema?
Por um lado, poderíamos dizer: se o que resta for bacalhau à Omar Bakri-Savarin, está tudo dito em matéria de hortaliças, sem desprimor para as ditas, e foi o jardim que migrou.
Por outro lado, e contra evidências primárias, no caso o dito bacalhau, podemos considerar que o que migrou foram mesmo as cebolas, esses danados bolbos acéticos que nos obrigam a verter lágrima, que nos desconfortam. Nesse caso, ficamos com bacalhau com rosas, iguaria que agradeço, mas, por mim, passo.
Que tipo de pratos o quartzo, feldspato & mica quer afinal confeccionar? Pela minha parte, se quero rosas ? senhores ?, mais preciso de rijas agras cebolas? fazem chorar, sem qualquer moralidade.

10:45 da tarde  
Blogger O Bom Selvagem said...

Se há coisa que este post mostra, é precisamente o oposto do que se propôs a provar. Um membro da Al Qaeda estará longe de representar o Islão. Aliás, sinto-me aliviado de ver que só alguém que combina a prática do mal terrorista com fundamentalismo é capaz de articular uma entrevista assim.

Sei que muitos intelectuais abominam o futebol. Eu amo futebol. Deixo aqui ao critério dos presentes, os hinos dos superdragoes, os mesmso que espancaram adeptos que festejavam na Av. dos Alieados e incendiaram cachecóis:

Nós somos os ultras
dos Super Dragões
Fodemos lagartos
Também lampiões
Nós vamos ao Sul
Os No Name humilhar
Por ti grande Porto
Nós vamos cantar
É a Pronuncia do Norte
Somos o Povo mais Forte

Pela manhã começa o dia
A foder os lampiões
Pela Noite vamos cantar
A vitória dos Dragões
Nós só queremos (..)

A namorada eu deixei...
E o trabalho abandonei
Para te dizer
Que até morrer
Que até morrer Porto te amarei!

Allezz allez...

10:02 da manhã  
Blogger O Bom Selvagem said...

Uma das vitórias do terrorismo é esta, lançar a discórdia entre pessoas de bem e que se querem bem, só porque suscita nelas sentimentos mais extremos. Não é por acaso que tanto o Nicolau Saião como o Manuel Resende, que estão nas antípodas da forma como encaram o terrorismo, serem precisamente os dois que mais postaram e geraram controvérsia sobre o tema.

Que nos sirva de lição a todos.

Quanto à opção do Filipe, pois que há uma diferença fundamental entre comentar posts e participar em blogues. Eu próprio já abandonei um blogue conjunto de futebol por incompatibilidade facciosa... e discutia-se futebol caramba, futebol...!

11:44 da manhã  
Anonymous Zé Povão said...

Numa coisa "eles" já ganharam: pessoas decentes antagonizam-se porque, tendo perspectivas diferentes, vão sendo extremadas a ponto de surgirem rupturas. Faz-me lembrar o personagem do livro do Astérix 'A Zaragata', aquele que causava a discórdia entre gente outrora amiga.
Quem são o "eles" a que me refiro? Posso mesmo dizer?
Não vão fugir mais leitores e intervenientes neste blog?...

6:54 da tarde  
Blogger Rui Manuel Amaral said...

Zé Povão, obrigado. Como sempre, o seu diagnóstico está correctíssimo.

10:54 da manhã  
Blogger APOLLINE said...

Une mode pour toutes les tailles avec des articles allant du 32 au 56.

3:43 da tarde  
Blogger APOLLINE said...

Une mode féminine originale

12:42 da tarde  
Blogger vente said...

Vous avez un blog très agréable et je l'aime, je vais placer un lien de retour à lui dans un de mon blogs qui égale votre contenu. Il peut prendre quelques jours mais je ferai besure pour poster un nouveau commentaire avec le lien arrière.

Merci pour est un bon blogger.

5:34 da tarde  
Blogger Roberto Iza Valdes said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

3:07 da tarde  
Blogger Roberto Iza Valdes said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

6:27 da manhã  
Blogger Iza Roberto said...

Este comentário foi removido pelo autor.

5:45 da tarde  

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