3.6.05

O deus das pequenas coisas



Consegui entrar nas caixas de comentários onde se falava de Pessoa tradutor. Rejubilei, vi lá informações que me foram úteis - tanto mais que me fizeram pensar na arca.
Daquele verdadeiro cofre das mil-e-uma-noites de onde tanta coisa tem saído, às tantas ainda vão sair traduções que nos farão entrar em órbita como foguetes siderais...
Mesmo que o pouco que conheço dele em poesia traduzida (o que está publicado, que já é de muito amar) fosse o seu único brilharete, isso me bastaria para fazer meus desvelos: também Alain Fournier só deu a lume um livrito, o "Le grand Maulnes", e com essa obra única conseguiu ficar muito à frente de encorpados romanceadores.
Mas se não conheço bem a sua classe como tradutor de poesia - não passo de um curioso, com o interesse das curiosidades e nada mais - já o mesmo não sucede enquanto tradutor de literatura policial, ou policiária como ele gostava de dizer.
Aí estou no meu território - o único que de facto tenho enquanto observador das letras alheias. E permito-me sugerir: leiam a novela de Anna Katharina Green que a "Vampiro" deu a lume em Portugal com o título de "O caso da 5ª Avenida" e que o nosso homem em parte traduziu, ou porque não lhe chegou o tempo terreno para acabar ou porque algum heterónimo o chamou para com ele beber um tinto ou um branco, tanto fazia - era para vomitar.
Por essa leitura se verificará que, com calça curta ou fralda de fora, ou mais compenetradamente, este Fernando era um parceiro de mão cheia. Tradutor de génio? Sim, sim - até ao fundo da alma!

O boneco que acompanha esta prosa perpetrei-o para uma homenagenzita que em Espanha lhe artilharam. Sem ser por acaso, as palavritas incluídas vão em franciú: como se eu, por pirraça, quisesse que ele as traduzisse à sua maneira, do além para estas paragens...