20.6.05

A greve dos professores

Sempre estranhei que fossem precisamente os partidos, movimentos e organizações de esquerda (onde incluo os sindicatos, é claro), os tais que se deviam bater pela igualdade entre os trabalhadores e pela abolição dos privilégios, os primeiros a defender, com brio, os privilégios de tudo o que é casta ou corporação neste país. Os professores recusam-se a abdicar de certas regalias? A esquerda trauliteira, a esquerda pau-mandado, a esquerda controleira, a esquerda fiscalizadora, a esquerda moralista e pregadora, apoia.

48 Comments:

Anonymous v.s. said...

Bravo! Ainda bem que alguém tem coragem de escrever coisas assim.

3:07 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Em primeiro lugar nem todos os sindicatos de professores são de esquerda... O melhor será informar-se!
Saiba, que existe pelo menos, um sindicato, que é de direita e está incluído nesta greve.

Em segundo lugar, as pessoas ainda não são cultivadas segundo as normas da U.E., onde todos os legumes têm que ter determinados requesitos, para terem direito a serem comercializados.
Não existem castas, mas sim pessoas que pensam por si próprias.
Ainda!...

M.G.

5:01 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

Extraordinário, Rui. Os professores recusam-se a perder certas regalias e os sindicatos apoiam-nos... Que deviam fazer os sindicatos? Dissolver os professores e eleger outros?

Por outro lado, agrada-me essa caça aos privilégios e às mordomias. Sim senhor, Portugal está cheio de privilegiados: professores, bancários, operários (com as costas quentes, protegidos no emprego por leis antiquadas e pouco flexíveis), agricultores que vivem à custa dos subsídios, etc., etc. Uma vergonha. Assim o país não vai para a frente.

Sobretudo quando toda essa corja é apoiada pela esquerda trauliteira: ainda ontem um meu primo foi agredido no autocarro por um esquerdista daqueles que andam de cacete por aí a ver se a gente diz alguma coisa politicamente incorrecta.

Uma vergonha,digo-lhe

5:33 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

Esqueci-me dos desempregados, de costas ao alto, a polir esquinas, à custa do rico dinheirinho dos contribuintes. Uma corja.

5:35 da tarde  
Blogger Rui Manuel Amaral said...

Há uns anos que partilho a minha vida, casa, alegrias e misérias com alguém que desgraçadamente escolheu ser professor. Conheço bem os problemas dos professores. Ano após ano, os problemas, as decepções, as dificuldades deixaram-me cansado. Não tenho vontade de falar nisto. Rui, precisavas de concorrer à docência e estar no terreno para perceber exactamente o que se passa. Os "privilégios dos professores" são uma grande ilusão. Não existem.

6:03 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

É verdade, aqui há uma data de ciganos que são os primeiros a receber na Segurança social e pianinho os empregados nem se atrevem a dizer-lhe nada e há gente que se oferece-lhes emprego no INE e recusam sabe-lhes bem o subsídio sem fazer nada. Uma vergonha sim. E a gente sabe o que esquerdelhos querem e é dar cabo disto e dizem a sociedade é que tem culpa.

6:11 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

E os anónimos julgam que eu estava a falar a sério... Fantástico, estimados ouvintes.

Entretanto, os verdadeiros privilegiados riem-se, compram obras de arte, são mecenas, e benfeitores, esforçados criadores de riquezas deles.

8:10 da tarde  
Anonymous f.guerra said...

Quando era chaval era tão ingénuo que pensava que as pessoas que escreviam coisas reaças e não viam a realidade à frente do nariz, das duas, uma: ou eram estúpidas e limitadas e acreditavam com sinceridade no que escreviam; ou eram inteligentes e viam muito bem a realidade à frente do nariz, mas escreviam coisas reacionárias como provocação, para criarem discussão e debate.

8:22 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

Caro F. Guerra:

Ainda há muitas outras hipóteses. E uma, é:

«Certas pessoas, na sua limitada mundovisão, andam à procura, à volta delas, dos culpados. Porque estão com medo, sentem-se inseguras. Como só vêem pouco, apanham logo o primeiro que lhes aparece e dizem: "É este filho da puta." Geralmente, ciganos, pretos, desempregados, etc. Gente que os azares da vida foi pôr em sítios em que não deviam estar. Essa gente pequenina tem mesmo medo. Eu também tenho, mas aprendi que o medo faz parte da vida, sem medo ainda desatávamos a fazer parvoíces heróicas. Não o viro é contra os outros desgraçados.»

Uma das coisas que mais me espantou no Chateaubriand,não,não o bife, mas o escritor, foi ver como,acolchoado por uma educação superior e pela sua condição de classe aristocrática,foi capaz de perceber tudo o que se passava à sua volta e explorar esse conhecimento em proveito próprio. Atravessou a revolução francesa, aderiu aos seus resultados quando já era contra-revolução, para pouco depois se demitir por assim dizer dignamente, e acabou a vida a escrever um livro para uma sociedade anónima constituída de propósito para o efeito.

Isso sim, é viver, essa gente sempre escapa à chuva, embora não seja viver para mim.

Agora, é triste ver pessoas que estimo andarem a dizer que os professores são corporatistas, ou corporativistas, já não sei.

9:53 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

E há professores que em vez de ensinarem os alunos metem-lhes ideias na cabeça género o trabalho é uma exploração caga nisso e depois o que sucede? Chegam a adultos, não têm emprego, toca a drogar, ou pior, nem tem respeito pelos outros e é roubo pra frente e um tipo decente não vale nada e os polícias é para se lhe dar cacetada e às veze tiros. Não há amizade nem mesmo amar o próximo não há nada. E quanto mais sabem parece pior é. Isto aguenta-se?

10:36 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

E fodem a torto e as direito e nem respeitam a religião. esta malta!

10:54 da tarde  
Blogger pedro said...

Prá rua com todos os aproveitadores que vivem à sombra da generosidade sem limites do estado suec... perdão, enganei-me de país, de blog e de caixa de comentários...
Esta esquerda não trauliteira... esta esquerda com vocação de governo!

11:39 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

Era escusado

12:01 da manhã  
Blogger Manuel Resende said...

Puxa que esta maioria silenciosa faz um barulho do camandro!

Vou ter de comprar bulkiés.

Celui qui n'a pas compris peut le mettre où je le pense.

Aulas de francês às terças e quintas, 100 euros à hora.
tlm 99yuotyuu

12:20 da manhã  
Blogger Rui Lage said...

Rui Amaral, esta matéria não me é tão estranha quanto pensas: a minha namorada é professora do ensino secundário, a minha mãe do ensino primário, e eu só não concorri ainda porque, sinceramente, não vale a pena. Eu não digo que os professores são uma classe privilegiada, apenas digo que, face ao operário da construção civil, face àqueles que trabalham na agricultura, nas fábricas, nas caixas dos supermercados, etc., etc., são-no com certeza. Sei muito bem que a profissão de professor é extremamente desgastante, mas como podem os professores ter a certeza de que é mais desgastante do que, por exemplo, trabalhar como operário na indústria têxtil? Mas afinal estamos a falar do quê? Porque diabo é que um professor se há-de poder reformar aos sessenta anos e um lavrador apenas aos sessenta e cinco? O professor trabalha mais que o lavrador!? É essa a vossa justiça social? Ora bolas.

4:57 da manhã  
Blogger Manuel Resende said...

O Rui, um lavrador quando é que se reforma?

E a justiça social começa por onde? Pelos privilégios dos professores?

Puxa. E é razão para chamar trauliteiros e dizer aquelas coisas sem nexo como, por exemplo, os sindicatos serem uma espécie de correia de transmissão do governo para grande educação das massas?

9:01 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Os sindicatos dos polícias, p.ex. são para defesa do povo. Aliás os polícias sempre defenderam o povo, nomeadamente contra as velhas que andam a atacar cidadãos na Baixa para lhes roubar as carteiras.E os
trabalhadores do campo, que só trabalham na agricultura,pfff,para que serve isso? se há os supermercados. Deviam era reformar-se aos cem e depois irem pra adubo.
Pensando melhor deviam servir de manequins nas esquadras para treino de tiro dos polícias dos sindicatos.
Bravo, Lage,não se cale.
jam

9:47 da manhã  
Blogger Rui Manuel Amaral said...

Rui, és capaz de imaginar um professor de sessenta e cinco anos a cumprir horário completo e a leccionar matemática em Aldoar, no Cerco ou em Miragaia? Mas esse não é o único problema. Esse talvez seja o menos mau dos problemas.

10:04 da manhã  
Anonymous Ruy Ventura said...

Amigo Rui Lage,

Deves estar um pouco equivocado. Faço-te apenas uma pergunta: já alguma vez estiveste várias horas com dezenas de alunos indisciplinados pela frente, a tentar colocar-lhe algo na cachimónia? Lamento que, também tu, enveredes pela estratégia da moda em Portugal, que é fazer dos professores uma espécie de bodes expiatórios, passando uma imagem errada de que temos imensos privilégios e nenhuma responsabilidade. O problema não está na idade da reforma dos professores, mas nas tarefas a desempenhas com idade avançada. Alguém com uma pinga de bom senso poderá pensar que um professor com uma certa idade poderá leccionar aulas em condições? Ponham-nos a dar aulas de apoio individuais a alunos com dificuldades, mas aulas a turmas com 29-30 alunos, é inqualificável. Quanto a essa história das outras profissões, basta vermos que os professores são os maiores clientes dos psiquiatras... A escola portuguesa já não é como no tempo do Sebastião da Gama, em que os meninos eram todos bem comportadinhos e com imensa vontade de aprenderem. A escola portuguesa actual é uma selva de mau comportamento (incentivada pela estratégia dos "coitadinhos" promovida por sociólogos, psicólogos e ministério) e de burocracria que acaba com a estrutura mental de qualquer cidadão (e os professores deste país ainda são cidadãos...). Houve outros empregos neste país e já teria acontecido o mesmo que Inglaterra, em que os professores abandonaram o ensino, porque não estavam para aturar meninos sem educação, pais sobranceiros e um ministério doido...
Lamento, amigo Rui, que tenhas entrado nesta lógica simplista.
PS - Hoje não fiz greve e estou a trabalhar - não porque ache injustos os motivos da greve, mas porque recuso prejudicar o meu bolso...

10:10 da manhã  
Anonymous Ruy Ventura said...

Desculpe: onde se lê "houve", no último parágrafo, deve ler-se "houvesse"...

10:12 da manhã  
Anonymous Ruy Ventura said...

Só gralhas...
Onde se lê "que Inglaterra", deve ler-se "que em Inglaterra"...
Isto é do cansaço... é que sou professor e estou em altura de avaliações...

10:13 da manhã  
Anonymous Ruy Ventura said...

Rui,

Não duvido que conheças por outras pessoas o que é ser professor, mas uma coisa é a experiência em segunda mão a outra é a experiência em primeira.
O que está errado não é o "privilégio" dos professores, o erro está neste país que dá reformas de miséria aos trabalhadores e, ainda por cima, tarde.´
Quando há "privilégios" não devemos nivelar por baixo, à boa maneira estalinista, mas elevar os que estão por baixo...

10:17 da manhã  
Blogger Rui Manuel Amaral said...

E o Ruy Ventura diz uma coisa interessante. O impacto desta greve e de outras que se possam seguir será sempre muito limitado. Os professores, especialmente os contratados e os mais jovens, estão cansados de levar na tromba. São anos e anos a levar na tromba. A indiferença, a desmotivação, o cansaço joga a favor dos governos. E eles sabem isso.

Mais uma vez, quem ganha com tudo isto? Quem ganha com esta lenta agonia do sistema de ensino público?

10:24 da manhã  
Anonymous Ruy Ventura said...

Ninguém tenha dúvidas de uma coisa: se as escolas portuguesas ainda funcionam, isto só se deve ao brio profissional dos professores e dos auxiliares de acção educativa que, apesar de serem constantemente desconsiderados, teimam continuar a trabalhar - porque muitos deles vêem no seu trabalho uma espécie de missão... Se assim não fosse, isto já teria estourado!
Sabem que qualquer aluno indisciplinado, mesmo que atente contra a integridade física e mental dos seus semelhantes, tem sempre possibilidades de ser desculpado com conversinha pseudo-psico-sociológica?
Sabiam que há uma série de obstáculos burocráticos e de outra índole que visam apenas falsificar a avaliação, fazendo passar de ano alunos que não merecem?
Sabiam que os professores passam grande parte do seu tempo em tarefas não-educativas?
Sabiam que ultimamente o número de horas lectivas de várias disciplinas (entre as quais Língua Portuguesa) tem diminuído, sendo a matéria a leccionar a mesma, impedindo os professores de minimizar os problemas de aprendizagem dos seus alunos?
Isto são apenas alguns aspectos de um mundo que muitos portugueses desconhecem, mas que toda a gente pensa conhecer - achando-se no direito de mandar palpites sem qualquer fundamento, apenas baseados em preconceitos.

10:31 da manhã  
Blogger soledade said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

10:35 da manhã  
Blogger soledade said...

Sou professora. Não concordei com a greve e não aderi, pois julgo que haveria formas, menos lesivas para os alunos, de levar o governo a negociar. Também sei que não vale a pena sonhar com o impossível e a questão já não é a da reforma aos 60 ou 65 anos, a questão é, como diz o Manuel Resende, a de saber - e negociar, agora! - em que condições trabalharemos na fase final da carreira, como se fará a tal reconversão de que o governo fala. Ninguém, que não esteja no sistema, e no terreno, faz ideia das transformações que a escola sofreu com a massificação resultante do alargamento da escolaridade obrigatória e com a demissão e esboroamento das famílias. Os desafios, dilemas (e sofismas)com que nos debatemos. A dificuldade em achar soluções. O negrume do túnel de que não se vê o fim.
Enfim, não concordei com a greve. Mas depois de ter sido tratada pelo ME como fui nos últimos dias -desrespeitada, ameaçada, arregimentada como capital social de reserva...

10:38 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

O meu pai é agricultor e eu quase professor. Vou reformar-me aos 60 anos se isto durar até lá. Ele tem 51 anos e aqui na Beira litoral o trabalho é duro. Porque se reforma só aos 65? Com o bolso meio vazio, deve ter cá uma alegria...
Todos somos prejudicados. Todos!

10:42 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Atiram-se ao Lage porquê? Ele disse que a profissão de professor é desgastante e merece respeito. Por outro lado, defendeu o direito dos operários e agricultores, não vi o contrário.
O que acho que ele não gosta e quem é que gosta é do controle que o pc e satélites exercem no sindicato dos professores como noutros. Sou professora e sei, como todos sabem, que isso é como ele diz. Os próprios sindicatos de direita deixam-se arrastar por uma lógica controlada pc.
Isto é que está em causa, e não é falso o que ele diz.

10:58 da manhã  
Blogger Rui Lage said...

Ruy Ventura, tu achas que eu não posso ter opinião porque estou por "fora" do assunto. Pois eu acho que a tua opinião vem logo à partida viciada por estares por "dentro". Desculpa-me dizer-te isto, mas o teu discurso é, com certeza, corporativista. Porque não fazes o exercício contrário e tentas colocar-te na pele de outros profissionais do país? Achas que não têm problemas? Que não têm queixas? Que não fazem sacrifícios? Existe hoje uma moda que faz dos professores bodes expiatórios ou existe hoje uma moda que faz dos professores as vítimas por excelência do sistema? Lá está, tudo depende da perspectiva. Eu não nego que tenhas razão no diagnóstico que fazes da tua profissão ("atiram-se ao Lage porquê? Ele disse que a profissão de professor é desgastante e merece respeito", citando o "anonymous"), mas o que me levou a colocar o "post" não passa pelos argumentos de que te serves: a taxa de professores que frequentam os psiquiatras, as turmas com alunos a mais, a indisciplina reinante, a burocracia, etc., tudo argumentos que passam ao lado das duas questões de fundo que estão neste momento em jogo e que dizem respeito não só aos professores mas à função pública em geral: a idade da reforma e a progressão automática das carreiras. Por mais que vos custe, são duas regalias - é o termo correcto - indefensáveis, aberrantes e profundamente injustas. Nada justifica que haja portugueses a reformarem-se aos sessenta e outros aos sessenta e cinco (pois é Manel, dizes bem, um lavrador trabalha A VIDA TODA). O facto de a maioria dos professores não reconhecer isso é que me leva a chamar-lhes corporativistas. Isto para não ir mais longe, porque se é verdade que conheço muitos professores bem preparados, cultos, informados, com verdadeiro espírito de missão e de sacrifício, também conheço muitos que são verdadeiras nódoas: não aprenderam o que deviam e por isso não ensinam o que deviam. Não se informam sobre o que se vai passando no mundo (não lêem jornais, por exemplo); não vão actualizando os seus conhecimentos no âmbito das áreas em que se licenciaram; metem baixa para poderem ir viajar; e por aí fora. E lamento, Ruy, que venhas falar, a propósito do meu post, da "boa maneira estalinista". Presumo então, quando dizes que não devemos nivelar por baixo (coisa que jamais me passaria pela cabeça), mas "elevar os que estão por baixo", que defendes, como modelo social, que todos os trabalhadores se possam reformar aos sessenta anos... É isso? Se é isso, desculpa, mas tendo em conta a actual situação do país, estás fora da (dura) realidade e no domínio da mais pura ficção científica.

A justiça social, Manel, não começa pelos privilégios dos professores, começa pelos PRIVILÉGIOS, sejam eles quais forem. Ou achas que não deve começar por lado nenhum para não ferir susceptibilidades? Isso trouxe-me à memória o Guterres mais a sua "pragmática" do diálogo, sabes.

12:48 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

A opinião de Lage é a mais equilibrada, sem que isso tire a Ventura razão nalgumas coisas. Por exemplo: há professores que são enxovalhados e discriminados, é um facto. Assim como há outros que meu deus! Arrogantes, pretensiosos e bem medíocres.
Mas o que deve ver-se é a profissão como um todo, como uma classe. E aí, alto e pára o baile:em parte, são os zeladores dos governos no que eles têm de pior. Por outro lado, são vítimas dum sistema impreparado.
No que leio em Resende, parece-me e não devo estar enganado pessoa positiva, mas tenho notado que alinha em discursos que já no 68 não tinha pernas para andar.
Pensa em esquemas e não com senso comum, desculpe mas é minha opinião.
Um professor tem de ser um mestre com todos os direitos e deveres,não um empregado público.
Alargue-se a discussão com boa-fé.

4:34 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

RuiLage, porra.

Já estou farto dessa conversa de andar a catar privilégios entre os de baixo.

Quando vemos os verdadeiros privilegiados, os de cima, a exigirem cada vez mais: anulamento dos direitos sucessórios, isenção de impostos para as mais-valias, etc., e pouca gente no establishment a achar isto estranho.

Triste fim de vida para a social-democracia que cada vez mais se parece com a Maria Antonieta, e não está a ver o desastre que nos prepara, a guerra de todos contra todos, a criminalidade generalizada, e sempre insensível ao sofrimento dos seus próprios eleitores. Bom enterro! Depois falamos,junto a nosso senhor. Porque isto não vai ter bom fim.

10:19 da tarde  
Anonymous Margarida Vale de Gato said...

Só uma perspectiva economicista de vistas curtas pode valorizar a medida de aumento de idade da reforma dos profs.

Humanamente, sim, considero a profissão mais desgastante (mais susceptível de corroer de per se, independentemente do cansaço acrescido pelos anos que a todos pesam) do que a de um agricultor.

Socialmente, com os milhares de profs desempregados, é um desastre.

Culturalmente, sem querer desconsiderar a sabedoria anciã, julgo que a estiolação do ensino, já de sua natureza pouco permeável à mudança, é um risco considerável.

Quanto à questão das promoções "semi-automáticas", tendo a concordar com o Rui Lage. Mas havia que repensá-las sem as congelar.

1:49 da manhã  
Blogger Rui Lage said...

Cara Margarida Vale de Gato, a opinião de que a profissão de professor é mais desgastante que a de um agricultor é legítima, mas muitíssimo discutível. Como assim "humanamente"? Acha mesmo que, no que toca ao trabalho, é possível distinguir um cansaço "humano" e um cansaço "físico" ou "orgânico"? Eu não sou da mesma opinião, talvez porque os meus avós, tios, primos, muitos amigos (e mesmo pais durante a juventude) foram ou são agricultores.

O aumento da idade da reforma pode, neste momento preciso, andar aliado a critérios de natureza economicista, mas também não se podem esquecer critérios de natureza biológica, como o aumento da esperança média de vida, ou os avanços na medicina que permitem não só que se viva mais tempo, mas que se viva mais tempo com qualidade (factores que tenderão a aumentar com o passar dos anos). Não ter em conta estes critérios também denuncia, para mim, uma perspectiva de vistas curtas.

Reparei que utilizou progressões "semi-automáticas" em vez de "automáticas". Não o faça, porque os complementos de formação, pseudo-mestrados e outras artimanhas à disposição dos professores são uma verdadeira palhaçada: tiram-se com uma perna às costas, não se aprende nada e, o que é pior, não são direccionados para as respectivas áreas de competência profissional.

Os professores que tentem explicar aos pescadores de Sesimbra as razões da sua greve e verão se não levam com um banho de postas de pescada. Se organizassem greves e manifestações para protestar contra a indiscilpina nas escolas, contras as perseguições de que muitos são alvo, contra o sistema de colocações, etc., etc., contariam com a solidariedade de todos os portugueses. Neste momento contam com a antipatia.

11:54 da manhã  
Anonymous Margarida Vale de Gato said...

Caro Rui Lage, o "humanamente" foi um problema de utilização da língua, porque o que quis dizer é que a medida, do ponto de vista humano, é injusta, visto a profissão de um prof ser de maior desgaste (não quis dizer que o cansaço de um agricultor não era humano, nem que um prof estaria cansado da humanidade...)

Não sei se há estudos comparáveis entre o desgaste profissional dos agricultores e dos profs, sei que há muitos estudos sobre o stress dos profs, e que eu, quando me profissionalizei no ensino, tive uma disciplina chamada "psicologia educacional" onde, surpreendentemente, não me prepararam tanto para as funções psicológicas do exercício pedagógico como para as eventuais descompensações psíquicas da profissão.

Pela minha experiência pessoal, garanto que ser tradutora (que não intérprete, note-se) é muito menos desgastante do que ser prof.

Sobre o aumento da esperança de vida: considerando esse factor, talvez seja de optar por soluções do tipo das preconizadas pelo Ruy Ventura. Mas, atenção, essas soluções não devem contribuir para diminuir o número de novos professores, já de si reduzido, que entra cada ano nas escolas. É verdade que há excesso de profs, e considero mesmo que a medida de deixar de pagar aos estagiários tem alguma função de desencorajamento dos demasiados candidatos para as pouquíssimas vagas. Contudo, parece-me prejudicial para o progesso do país a diminuição do número de novos educadores, acrescida pela desmotivação de não verem o seu primeiro trabalho (muito duro) remunerado.

Por último, e por curiosidade:
segundo a sua ideia de não se poder quantificar os esforços (e talvez a perícia?) dispendidos em diferentes profissões, também acha que devíamos todos ganhar um salário único pelo mesmo tempo de trabalho?

2:57 da tarde  
Anonymous Margarida Vale de Gato said...

Ainda, e porque não me parece que a esperança de vida aumente brutalmente até lá: mesmo que se considere benéfico aumentar a idade de reforma dos profs (repito, canalizando o seu trabalho para actividades de outra índole), é preciso lembrar que os actuais profs quando ingressaram na profissão estabeleceram um contrato com o Estado, e descontaram segundo esse contrato, no sentido de se reformarem aos 60 anos. Como penso que neste caso (ao contrário do das promoções), os motivos para a mudança são, então, exclusivamente económicos, julgo que a reformulação da lei, a fazer-se, só deveria abranger os novos profissionais.

3:07 da tarde  
Anonymous M.G. said...

SOU PROFESSORA.
QUANDO ME REFORMAR, QUERO SER AGRICULTORA.

PORQUE SE ATIRAM AOS PROFESSORES? SÃO SERES HUMANOS E SENTEM-SE MALTRATADOS!!!

M.G.

4:32 da tarde  
Anonymous m.g. said...

40 graus de temperatura;
20 computadores ligados;
20 alunos;
uma sala sem arejamento;
uma sala sem janelas...

Diante disto, os meus alunos são o melhor de tudo e às vezes é mesmo o sentido de missão que dá forças.

4:40 da tarde  
Blogger sandra costa said...

É verdadeiramente desesperante ler (ou ouvir) determinado tipo de coisas que se têm escrito/ dito nos últimos dias sobre os professores. Porque, efectivamente, não tenho tempo para mais, apenas quero deixar o meu profundo desacordo (e alguma mágoa, mas já me devia ter habituado) perante este texto e alguns dos comentários. Sou professora de História, fiz greve hoje e precisamente hoje acabei de redigir o meu documento de reflexão crítica relativo ao meu desempenho como docente nos últimos 4 anos. O ter-me dedicado sempre à escola - aos meus alunos, às aulas, ao teatro escolar, ao jornal da escola - não me servirá de nada (para além do prazer de ver, por exemplo, jovens dos 12 aos 17 anos a representaram, integralmente, «A Gaivota» de Tchekhov) até ao final de 2006, nem o mestrado (e de pseudo-mestrado este não tem nada!) que estou a concluir. Depois de um ano lectivo que começou como se sabe, mas já todos esqueceram e responsabilidades não coube a ninguém, só faltava, de facto, acabarmos como a espécie social a abater.

5:36 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Lage, acho que você erra e é injusto em não fazer a distinção: há professores e professores.Uns que entram negativamente no rol do que disse, outros que pelo contrário são competentes, esforçados e verdadeiros mestres. Certo?

6:24 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

Rui (Lage):

Então é por justiça social ou por esperança de vida?

Aguardo resposta: enquanto há vida, há esperança.

Repara que tenho vindo a contestar tão somente a argumentação, não o fundo da questão. E recorrer a termos como trauliteiros e querer que os sindicatos não defendam os direitos dos professores, mas sejam correias de transmissão da linha justa,

sinceramente,

é demais.

Assim não vamos a sítio nenhum que não seja a parede onde havemos de quebrar a cabecinha, tu e eu...

10:53 da tarde  
Anonymous Ruy Ventura said...

Rui Lage,

Claqrificando:

1. Defendo que a reforma não deve ser aos 65, pois nessa idade ninguém tem elasticidade mental para dar aulas; se não há outro remédio (o que duvido), pelo menos ponham os professores mais velhos em actividades não-lectivas, de que as escolas tanto precisam;
2. Quanto à progressão "automática", nunca falei dela... Mas já que vem à baila, penso que os professores devem progredir na carreira pelo seu mérito e não automaticamente. Só que há um problema, a progressão neste momento não é automática, pois quem não reflectir sobre o seu desempenho num relatório e não fizer formação (que pode ser discutível), não muda de escalão.
Mas há uma questão que deve ser discutida: como se avalia o mérito de um professor? Com base no olhar do director da escola (que beneficiará sempre aqueles que não o contestarem)? Com base no sucesso dos alunos (que podem ser intrinsecamente desmotivados ou sem capacidades)? Já fui supervisor pedagógico numa instituição de ensino superior - e sei o quanto é difícil avaliar o mérito de um professor e quanto esta avaliação pode ser injusta. Gostaria que alguém fornecesse sugestões...
No que respeito às minhas palavras, gostaria que não visses nelas algo de pessoal. Se te feri nalgum aspecto, peço-te desculpa.
Quanto às acusações que me diriges, perdoo-te, pela consideração que tenho por ti.
Mas gostaria de deixar bem clara uma opinião: neste momento existe em Portugal muita gente (a começar pelo presidente da república) que fala da profissão docente sem um conhecimento aprofundado, querendo retirar aos professores a possibilidade de expressarem a sua opinião - acusando-os de "corporativismo".

9:56 da manhã  
Blogger Rui Lage said...

Cara Margarida Vale de Gato:
mas onde é que eu defendo a ideia de "não se poder quantificar os esforços dispendidos em diferentes profissões"? Eu acho que se podem quantificar esses esforços, embora um agricultor, se o interpelar, lhe dirá sempre que trabalha mais que um professor, e um professor, se o interpelar, lhe dirá sempre que trabalha mais que um agricultor... Quem é que tem razão...? Eu cá tenho a minha ideia, de que muitos - quase todos professores - discordarão. A questão que eu coloquei foi a de saber se é possível separar um cansaço "psíquico" de um cansaço "físico". Eu acho que não, acho que ambos se implicam.

Ó "anonymous", então eu não faço a distinção entre os bons e os maus profissionais!? Ora vá ler os meus comentários outra vez.

Manel, achas mesmo que a esperança média de vida não tem nada a ver com justiça social? Não posso acreditar em tal coisa.

Ruy, eu não vejo nada de pessoal nos teus comentários e tu também não deves ver nada de pessoal nos meus. São argumentos, nada mais.

E voltando à agricultura, saibam os senhores que a grande maioria dos que trabalham a terra e que estão hoje na casa dos 40, 50, 60 e 70 anos (para não ir mais longe, que o meu avô paterno trabalhou até aos 80), passaram pela maior das privações: fome (fome de morte, senhores, de morte). Muitos só tomaram o gosto a um bife, a um simples bife, eram já adultos. Viveram em casas onde entrava a chuva e o frio, dormiram encostados aos animais para se aquecerem, vestiram farrapos, andaram descalços em pleno Inverno. Ou os senhores pensavam que isto só acontecia nos romances dos neo-realistas? E como se não bastasse, continuam hoje esquecidos, entretidos com os subsídios que lhes dão para não trabalharem, para não produzirem, como se isso lhes resolvesse a vida, como se isso resolvesse alguma merda. Mas eles continuam a trabalhar, no duro, a vida toda, porque não sabem fazer outra coisa.

12:53 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

Rui Lage:

Continuas a não dizer porque sou trauliteiro. Alguma vez dei em alguém de cima para baixo com um pau na cabeça?

Continuas a não dizer porque raio os sindicatos deviam defender o ponto de vista do governo.

Vens-me agora com os desgraçados dos agricultores... Sim, há-os desgraçados. Mas muitos professores são filhos desses agricultores.

E têm de pagar pela fome que os pais passaram por causa do Salazar? Agora os professores vão ter de pagar por décadas, senão séculos, de história pátria? Ora bolas...

E não me explicaste ainda porque só se fala de privilégios quando se trata de pequenos privilégios e não de grandes grandessíssimos privilégios...

Olha, deixa-te disso.

11:04 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

ERRATA

Não é porque raio

é

por que raio

raios

11:06 da tarde  
Anonymous Jorge Reis-Sá said...

Amigos
o Rui Lage tem razão. Acho-me o menos passível de parcialidade nas palavras que vou escrever: afinal, a minha mãe é professora primária, o meu pai foi professor a vida toda, a minha mulher é professora no secundário. É inadmíssivel que a minha mãe se vá reformar dentro de 3 anos com - notem - 52 anos. E que no último ano não trabalhe com alunos. Como é inadmíssivel - alargando a polémica aos funcionários públicos em geral - a existência de corpos especiais da maneira presente. Há diferenças abismais em termos de análise laboral entre o sector privado e público. Era também importante falar-se disso mesmo. Mas também sei, por experiência próxima, quanto trabalha um professora fora da escola. Acho, em suma, que a posição mais equilibrada e justa é a do Lage. Sou de esquerda. Abomino corporações que se defendem sem qualquer sentido de justiça social. Bem haja o governo do Sócrates por estar, finalmente!, a tomar medidas reformistas. Todos, desde que me conheço, falam em reformas disto e daquilo. E quando um governo tem a coragem de as instituir a sério eis que cai o Carmo e a Trindade. Estou com o governo. Estou com estas reformas, com esta forma serena e justa de se fazer política. E contra corporações demagógicas e sindicatos que ainda vivem no século XIX.

2:38 da tarde  
Blogger Rui Lage said...

Manel:
- "trauliteiro", no sentido figurado.

- Já num comentário acima perguntavas porque acharia eu que os sindicatos deviam ser "correias de transmissão da linha justa". Os sindicatos não devem ser obviamente, as "correias de transmissão da linha justa", tal como não devem ser... as correias de transmissão da linha injusta. Ou eu é que devo ser uma correia de transmissão da linha dos sindicatos? Os sindicatos nunca erram? Não posso achar que os seus critérios nem sempre são os melhores? Essa é boa. E olha que há por aí alguns sindicalistas que valha-me deus...

- Notei que muitos dos comentários mostram um desconhecimento do que foi e é o modo de vida dos agricultores; por isso me senti na obrigação de dizer algo.

- Não sei se te dás conta, mas muitos dos argumentos que me atribuis não os defendo em lado algum. São da tua exclusiva responsabilidade, e por isso me escuso de os comentar; por exemplo: "Agora os professores vão ter de pagar por décadas, senão séculos, de história pátria?".

- Naturalmente que desejo e defendo que se ataquem os grandessíssimos privilégios - e que sejam esses a prioridade -, mas tal não me impede de concordar que se ataquem também os pequenos, sobretudo aqueles que considero particularmente injustos, como é o caso. Infelizmente, a nossa agenda nem sempre coincide com a do governo...

3:02 da tarde  
Blogger Rui Lage said...

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3:05 da tarde  
Blogger Manuel Resende said...

Rui Lage:

Primeiro, ainda bem que sou trauliteiro no sentido figurado e agradeço-te a precisão. Mas, aqui para nós, achas que sou trauliteiro no sentido figurado?

Segundo.
Vamos então a isso, ataquemos prioritariamente os grandessíssimos privilégios, que depois há imensas estrebarias a limpar. Tu é que dizes.

Mas prioritariamente,não é assim? Ou será que prioritariamente também é no sentido figurado. Aqui para nós que ninguém nos lê, não te expliquei um segredo: aquela dos políticos terem de abdicar das prebendas, achei bem no contexto. No contexto, repara! Porque de certa maneira também é demagogia, porque deixa de fora as verdadeiras fontes de injustiça da nossa sociedade.

Quanto a atribuir-te argumentos, não tos atribuí, era o que faltava. Os argumentos são meus, muito meus e não tos dou nem por dez milhões de euros. Nem pó!

E, desculpa que te diga. Pelo menos a forma literal, não figurada do teu post, implicava que os professores não queriam abdicar dos seus privilégios e que os sindicatos, que são de esquerda (dizias tu) não podiam colaborar com tal corporativismo. Numa palavra, querias,em sentido literal, não figurado, que os sindicatos defendessem a linha justa e não a linha injusta. E voltas a repeti-lo, pela negativa, no teu comentário. Ora, para nosso mal ou nosso bem, os sindicatos têm de defender os interesses materiais dos seus sócios e as direcções sindicais devem fazer isso mesmo. Para isso foram eleitas. Nâo são educadores das massas operárias, fum fum.

Sabes que mais. Sou um burro velho e tenho visto muitas coisas. E cheguei a uma conclusão. Em todos os países europeus estão a fazer a mesma coisa: aumentar a idade da reforma, cortar regalias ou direitos sociais, como queiras. As medidas são exactissimamente as mesmas, com ligeiras variações de grau e de intensidade. Mas as argumentações são DIFERENTES. Apontam todas no entanto num sentido: os assalariados têm de fazer sacrifícios porque vivem bem demais (diz-se por exemplo: "os franceses vivem acima das suas possibilidades"; os franceses, no caso, são os padeiros, os professores, os metalúrgicos, etc., porque os gestores têm a justa retribuição para o esforço que estão a fazer pela sociedade, como, por exemplo,despedirem de uma só vez mil ou dez mil trabalhadores excedentários).

Para esse peditório, já dei.

11:26 da tarde  

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