22.6.05

ALEGRIA NO TRABALHO (8)



A mulher que renovou o conceito de contacto
Antes de irmos adiante, impõe-se uma palavra de advertência a todos os que ficaram a salivar intelectualmente assim que souberam pelas nótulas anteriores que Josefina Bamdarra iria figurar como depoente nesta folhetinesca antologia: recomendamos morigeração.
Efectivamente, nem revelações escaldantes (como referir que Jo foi companheira, durante algum tempo, do deputado Lionel Pimpão ou do antigo ministro Fonseca Regolaz ou até do cónego...mas cala-te boca!) nem tampouco detalhes picarescos aqui irão ter destaque.
Limitemo-nos a referir que a nossa depoente, como tantas outras de acordo com estudos académicos de peritos, teve seu percurso muito próprio enquanto se estava a licenciar. Para arredondar o pecúlio escasso, como é de norma. Mas deixemos que seja ela a contar:
"Quando estava na pós-graduação, um dia fui procurada por um "visitante", como se diz na gíria da profissão, que a-pás nas tantas desatou a chorar. O... desempenho não estava a correr bem e, vai não vai, confessou-se: era jornalista e, tendo que entregar até certa data um texto de análise sobre as condições em que vivem os produtores de chouriço da raia beirã, não lhe saía... Essa preocupação obsessiva determinava a sua concisão fisiológica, se assim me posso exprimir. E, num repente, surgiu-me uma ideia luminosa! Aproveitando os conhecimentos que adquirira na Faculdade, pus-me com ele ao trabalho e não te ponhas com ideias, refiro-me ao artigo... Pois foi uma maravilha! Num repente vi a minha oportunidade: tantos homens vegetam por este país, obcecados, transtornados: uns porque não conseguem articular um plano em termos para a sua empresa; outro porque não consegue que a novela in progress chegue a bom porto; ainda outro que não desarrinca o texto crítico que a revista literária lhe vai pagar por uma conta calada...E por aí fora!".
" Renovei, portanto, o conceito de call girl na nossa sociedade, com dinamismo e, digamo-lo sem sofismas, carinho"
- continuou sensatamente Josefina a revelar - "Nos intervalos, porque sou conscienciosa, fui estudando. Já cá cantam mais duas licenciaturas, estas nas áreas da ciência e da tecnologia...e outra vem a caminho, no ramo das línguas e literaturas comparadas! O trabalho é gratificante, sinto-me realizada. Ainda ontem, por exemplo, acabei eu e o Bibichinho, um que se tornou amigo muito querido, de escrever o seu novo livro de poesia que vai ser, não o duvidemos, um novo best-seller!".
De referir que até ao receber um modesto repórter como eu, Josefina Maria Moisés Bamdarra, nascida em Ouriçal do Campo donde se transpôs depois para a capital, mostrou ser uma senhora com um porte e um gosto impecáveis: as libações que acompanharam a nossa quase que breve conversa provinham de um Amontilhado 64 branco e rodeado de gelo seco.
O poema escolhido é da autoria de António Porto-Além:

Não tenham pena dos que amando choram
Ardentes lágrimas de sangue e fel.
Nem dos que em sonhos amam, se enamoram
E em sonhos têm sua lua de mel.
Que em vez de virgens pudicas adoram
As santas pecadoras do bordel
Essas que nesses negros antros moram
E não em leitos brancos de docel.
Dos que por uma ideia ou uma quimera
Apunhalam o peito olhando o céu
Que ao olhar moribundo mais se eleva.
Porque se um dia a esses nada espera
Talvez rompido enfim o espesso véu
A terra alumiarão da sua treva!

Nota - Por motivos alheios de carpe diem, o folhetim vai de férias até ao regresso de alguém das Ilhas Fidji.

4 Comments:

Anonymous Margarida Vale de Gato said...

Ora o Poe outra vez por aqui?
Solicitem-se, pois, reforços de qualquer outra ilha.

10:26 da tarde  
Anonymous ns said...

Eheh! Burp!...

11:30 da tarde  
Anonymous Zé Povão said...

Esse alguém que se foi embora deve regressar, mesmo que seja das Ilhas Fidji (!), para não interromper o folhetim. Prometemos que, quando chegar à Portela (ou ao Sá Carneiro) lá estaremos à espera dele ( ou dela) para o (a) vitoriar por mais esta prova de clemência relativamente a 'agarradinhos' ao Quartzo - que, diga-se com reprovação - os médicos ainda não prescrevem, não sei porquê...

3:17 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Este cabrão com estas merdinhas gozonas, achincalha a pessoa humana.
Tens muita graça, meu animal!

11:01 da tarde  

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