25.5.05

OS MEUS POEMAS DA VIDA DE MIGUEL VEIGA

E lá li eu a segunda antologia do Público.

Confesso que não entendi muito bem o que levou o excelente editor Cruz Santos a escolher o ilustre homem das Leis, Dr. Miguel Veiga, para esta colecção. Sem desrespeito pelo próprio. Uma vez que a opção pelos primeiros 4 convidados parece obedecer a uma lógica partidária (Mário Soares, PS; Miguel Veiga, PSD; Freitas do Amaral, CDS(?); Urbano Tavares Rodrigues, PCP), porque não convidar antes o Dr. Pacheco Pereira, ou a Dra. Teresa Patrício Gouveia, só para citar dois exemplos, para representar o espectro politico do PSD?

Esta antologia pareceu-me mais sofrível que a primeira. Não gostei daquele "tom" do prefácio (aparte da epigrafe...), não gostei de ver os poemas (des)arrumados numa estranha lógica pessoal, desobedecendo a cronologias, ordens alfabéticas, nacionalidades, e, pior, não se vislumbrando outra ordem que não a errática aposição de poemas. Nem sequer satisfaz a putativa suspeita de que se tratou da suave e errática desarrumação da leitura pelos dias e pelos anos. Parece-me que faltou aqui algum trabalho de edição (as in the anglosaxonic word "editor").

As escolhas são mais ao menos previsiveis: Sophia, Eugénio(boa selecção), David, Ramos Rosa, Herberto, Camões, Pessoa, etc, etc, com o toque internacional (mas limitado) de Lorca, Neruda, Borges. Dois poetas "convidados" pelo antologiador, que poderiam ser agradáveis surpresas, não o são.

Três poemas que se destacam:

- "insinceridade", de Vasco Graça Moura; Vasco Graça Moura é muito bom quando se obriga a métricas, rimas, ritmos e assonâncias. Quando o faz em tom clássico mas tema contemporâneo tem momentos brilhantes. Encontra-se isso em toda a sua obra. Um grande poeta.

- "Ítaca", de Cavafy; "Mas não te apresses nunca na viagem./ É melhor que ela dure muitos anos,/ que sejas velho já ao ancorar na ilha,/ rico do que foi teu pelo caminyho,/ e sem esperar que Ítaca te dê riquezas." Isto é bom, muito bom.

- "Busque amor novas artes, novo engenho", de Camões ou "Dá a surpresa de ser", de Pessoa. São excelentes poemas de grandes poetas. You choose...

Foram seis euros amargos...

Ok, foram só 6 euros! Venha Freitas do Amaral