10.5.05

O passado nunca é assunto encerrado

Há vários anos tive um canário macho que baptizei (não me perguntem porquê) de Zico.O Zico nunca cantou, como seria de esperar, mas limitava-se a emitir um débil e monocórdico "piu" de tempos a tempos. Não havia gema de ovo ou alface que o encorajassem a trinar. Andava eu entretido a vasculhar os recônditos armários que há aqui por casa, hoje de manhã, quando dou de caras com a gaiola onde o Zico vivera (se feliz ou infeliz nunca foi capaz de mo dizer) e, dentro da gaiola, num fundo falso, encontrei despojos que só podiam ter pertencido ao canário, pois nenhum pássaro antes dele ali habitara. Nesse fundo falso, num pequeno molhe, havia penas com lantejoulas, anilhas de salto alto e de um vermelho berrante, ovos postiços e um penacho composto de penas não de canário mas de poupa e colibri. Foi então que percebi tudo. O canário que me haviam vendido como macho não passava de um travesti