12.5.05

Ler jornais é no metro

As estações do metro portuense estão transformadas em campo de batalha sem quartel entre duas publicações diárias e gratuitas para viajantes. De um lado do cais, o originalmente chamado "Metro" (sem site), com uma apresentação sóbria que não deixa ficar mal quem o lê. Do outro, o mimoso "Destak", em que se notam tiques popularuchos inspirados nos colegas séniores "24 Horas" ou "Correio da Manhã" (e em cujo conselho consultivo pontificam as luminárias Marcelo Rebelo de Sousa e João César das Neves, o que não é de estranhar dado o pedigree já referido). No essencial, porém, são jornais idênticos, com o mínimo indispensável de informação e o máximo de publicidade (compreensivelmente a única fonte de sustento de títulos que apostam na gratuitidade), escrita escorreita (não há espaço para análises ou floreados), eficazes (lêem-se no espaço de uma viagem de 15 minutos) e que podem trazer mais leitores para a imprensa dita tradicional (pelo menos aqueles que não se contentarem com dois parágrafos sobre um qualquer acontecimento importante). A juntar-se ao "Dicas da Semana" (que traz as indispensáveis promoções do Lidl), o "Metro" e o "Destak" passaram a ser os meus jornais de cabeceira.