7.4.05

No Oceano da Net...



...me deitei eu a navegar nos fins de 2003. Um brinquedo novo! Hum, já estão a ver - perdi-me de amores por aquilo, tinha ali como que o alfa e o ómega por um preço relativamente módico. Eram serenatas até às tantas, com grande desespero da minha entourage filial: não havia concertos interactivos para ninguém, eu impunha o ascendente dos meus ombros de lutador...
Foi por essa altura que dei com o Lyle Carbajal. Leia-se: com os seus quadros, que me apresentaram um dos melhores jovens pintores americanos. Fiquei tão entusiasmado que logo artilhei um poema a seu propósito, meses depois publicado na "Espaço/Espacio escrito" de Badajoz pela mão sabedora do António Sáez Delgado.
Vai não vai, recebi uma msg (um mail, por Toutatis) do pintor. Era o proverbial contacto, que me chegava lá das bandas do Novo México ou coisa.
Ontem chegou-me um outro: a partir de 9 e durante um mês, o Lyle - acompanhado do ugandês Fred Matebi e da americana Marva P. Jolly - estará à disposição na Galeria Internacional de Nashville que fica na porta número 624 A da Jefferson Street.
Admitindo a hipótese plausível de não poderem lá ir, aferrem-se aos sites a seu respeito: é oportunidade para desvendarem um pedacinho dum parque encantado onde vivem de permeio máscaras do México e da Oceania, os ritmos urbanos do norte e a nostalgia do sul, as flores e os rios, as árvores e as faces deste mundo e do outro. Um delírio!

CARBAJAL

A gente podia
combinar isto de antemão. Eu dizia:
coloca neste ponto uma pedra. E tu punhas
o sinal azul de um enorme jardim.
Depois eu dizia: aqui faz falta
o som de um apito
. E tu desenhavas
três crianças desesperadas. A seguir
eu adormecia. E quando acordava
tudo estava terrivelmente silencioso

Na porta, que se tornara transparente
estava pregado um papel amarfanhado.
Nele, estranhos riscos como feitos por garras.

Então aparecia de repente um anjo maneta
- que desatava a rir e de súbito se esfumava.

E sem sabermos como, era de novo manhã.

(in "Espaço/Espacio escrito")