7.4.05

Lista de Perfis de Papa

À falta de papa, há, para já, uma lista de perfis de papa. E eu faço questão de aproveitar este meu espaço aqui no blog para a explicitar em primeira mão. Nada nos garante que o novo papa venha de facto a encaixar-se nalguma destas silhuetas papáveis. Os conclaves são quase sempre imprevisíveis e pródigos em golpe de teatro. Como decerto sabeis, sob os frescos de Miguel Ângelo muitas conspirações, palmadinhas e facadinhas nas costas têm ocorrido, pelo que não nos deveremos espantar se acaso o próximo pontífice for alguém de quem ninguém está à espera, nem Deus. Assim, apesar de a lista poder, por ela própria, fornecer uma indicação, por ténue que seja, devemos também aqui fazer nossas as judiciosas palavras de alguém que disse "prognósticos só no fim do conclave", ou por outra, acrescentamos nós, prognósticos só com fumo branco a elevar-se nos ceús do Vaticano e um papa novo, qualquer que ele seja, de carne e osso a acenar aos fiéis da varanda depois de o mensageiro ter proferido, sem margem para quaisquer dúvidas, "habemus papam!". Só então, meus caros, poderemos nós, respaldados na irrefutável certeza dos factos, avançar com um prognóstico. Até lá, ficam aqui estes perfis (o cardeal que quiser enfiar a carapuça de algum deles, faça favor!):
- um papa com cara de papa, sereno, beato, apenas preocupado em ser parecido com o papa anterior; chamar-se-á, obviamente, João Paulo III
- um papa sábio, politicamente correcto, assimilador do tríptico da Revolução Francesa, falador de várias línguas, consensual; pede para lhe chamarem Clemente XV (alguém falou em D. José Policarpo?)
- um papa velho, de preferência trôpego, grosseiramente conservador e escabrosamente reaccionário, a falar como quem reza e a comer como quem comunga; escolherá ser chamado de Pio XIII
- um papa decidido a restaurar a autoridade da Igreja no mundo, vigoroso, incansável, capaz de viajar de avião durante 48 horas seguidas sem pregar olho, disposto a deixar que o apelidem de "turbo-papa"; chamar-se-á, como é bom de ver, Leão XIV. Isto na impossibilidade teológica de se chamar Tigre. "Ah, Tigre!", entenda-se.
- um papa modesto, encolhido no seu gabinete, com poucas leituras e rasgo reduzido, confinado a debitar orações e apanhado de surpresa pela polémica do preservativo, instrumento cuja utilidade será, para ele, um mistério, ainda mais insondável do que o divino. Chamar-se-á, como é natural, Inocêncio XIV
- um papa jovem e ágil de movimentos, epidermicamente sensível ao espírito do tempo, lesto a substituir nos serviços religiosos os obsoletos organistas de música sacra por uma bateria de DJ's, inventor das "trip-missas"; só podia chamar-se Urbano IX
- um papa que nada mais terá a dizer ao mundo do que comprazer-se com um efémero e disparatado jogo de palavras, indigno de um cardeal. Lá achará muita gracinha a que o chamem de Sisto VI. Merece é que o apeiem e façam um novo conclave! Haja respeito!
- um papa singular, esquisito, idiossincrático, africano ou latino-americano. Terá um nome novo, inédito nos anais; aceitam-se sugestões!