Boas notícias # 1

Do Dr. Malte Laurids Brigge, com pedido de publicação, recebêmos um pequeno texto - e citamos - "com um abraço a esse fixe desse Manel, que já passou comigo um par de horas muito profícuas, nomeadamente tagarelando sobre agricultura biológica...".
O distinto ensaísta, como se sabe, foi galardoado com vários prémios de qualidade, entre eles o "Duíno Booker Prize" e o "Von Thurn und Taxis Award", além de quase ter sido condecorado pelo Dr. Mário Soares e quase traduzido pelo Prof. Vask Giéme.
Recorda-se que àcerca do Dr. Brigge, tempos atrás e após ter visitado o nosso país (fez férias nomeadamente no Algarve), se falou que iria ter coluna no incontornável "Jornal de Letreiros e Artesanato". Contudo, após meditação competente, os dirigentes da prestimosa organização intelectual acharam e bem que "o estilo do Dr. Brigge não se adequava muito à brandura das nossas concepções" devido "ao discurso vincadamente das bandas do Osterreich", tendo-se optado antes por ali inserir uma secção depois justamente célebre, "Textos de circunstância", da lavra do grande Edmundo Prates Carmelo. E segue o texto:
Prezado amigo:
É possível que se não tenha ainda visto, reconhecido e dito nada de real e importante? É possível que se tenha tido milénios para observar, reflectir e anotar e que se tenha deixado passar os milénios como um recreio da escola em que se come o pão com manteiga e uma maçã?
Sim, é possível.
É possível que, a despeito de invenções e progressos, a despeito da cultura, da religião e da filosofia, se tenha ficado à superfície da vida? É possível que se tenha recoberto mesmo esta superfície - que ao fim e ao cabo seria ainda alguma coisa - com uma substancia incrivelmente enfadonha, que a torna parecida com móveis de salão durante as férias de Verão?
Sim, é possível.
É possível que se julgasse ser preciso recuperar o que aconteceu antes de se ter nascido? É possível que fosse preciso recordar a cada um que nasceu dos anteriores, que o sabia portanto e não devia dar ouvidos a outros que pretendiam saber cousa diferente?
Sim, é possível.
(...) Mas se tudo isso é possível, se tem mesmo só uma ligeira aparência de possibilidade, - então, por quem sois!, é preciso fazer qualquer coisa(...) escrever dia e noite: sim, ter-se-á de escrever e isso será o fim...
Aceitem, srs. directores, os protestos da minha extrema consideração.
PS - Também sei que tencionou escrever-vos o sr. Pablo de Nepomuceno Ruiz Picasso, a propósito de um enfoque sobre pintura - mas como tinha o seu tempo ocupado por uma natureza morta como que delegou em mim o esclarecimento do assunto.

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