25.3.04

O Povo É Sereno #71


A política externa do Governo britânico é um caso sério de camaleonismo supersónico. Senão, vejamos: Tony Blair, ontem de manhã, esteve em Madrid onde homenageou as vítimas dos atentados terroristas de há duas semanas; à tarde, reuniu-se em Lisboa com Durão Barroso para reafirmarem em coro a solidez da aliança beligerante no Iraque, sob o olhar vigilante de Bush; hoje de manhã, chega a Tripoli para "negociar" com o líder líbio Kadhafi, ex-terrorista recentemente convertido ao pacifismo.

Dito de outra forma: na capital espanhola, Blair chorou os mortos "colaterais" de uma guerra ilegítima que ajudou a desencadear; na capital portuguesa, renovou o empenho do seu país na ocupação violenta do Iraque a pretexto de uma vaga "luta antiterrorista"; na capital líbia, vai sentar-se à mesa com um reconhecido ditador e terrorista, tecendo odes ao diálogo como via alternativa à guerra para resolver conflitos internacionais.