24.3.04

Cimbalino Curto #76

O JN publica hoje uma entrevista com José da Cruz Santos, editor, em jeito de celebração de 40 anos de actividade profissional. Apesar de não ter tido ocasião de conhecer a pessoa, acompanhei um pouco do seu labor (alguns dos primeiros livros que li foram também obra sua, através da prestigiada editora Inova, e do magnífico trabalho gráfico de Armando Alves), pelo que a homenagem parece-me justa.

Dito isto, pena é que Cruz Santos se tenha deixado trair pelo rancor e, a propósito do Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, tenha dito as enormidades que disse. Dou de barato a afirmação, gratuita, de que foi o "maior flagelo para a cidade de há longos anos a esta parte" - de tão indemonstrável que é, não merece sequer o esforço de ser contradita. Agora acusar o Porto 2001 de não se ter preocupado com o "realçar dos valores da cidade", essa é demais! Porventura achará Cruz Santos que o "seu" livro não reeditado pelo Porto 2001, por mais importante que seja, esgota os "valores" do Porto? Ou que os seus amigos escritores eventualmente ausentes da programação são os únicos representantes desses "valores"? E quem define os ditos "valores"? Não terá, enfim, pejo de que as suas palavras o associem às vozes mais retrógradas e culturalmente subdesenvolvidas que sempre atacaram o Porto 2001? Aparentemente não e é pena.