8.10.03

O Povo É Sereno #9

Na sequência do "caso da cunha", Pedro Lynce demitiu-se em nome da ética e dos princípios democráticos, não sem antes afirmar a sua inocência perante os deputados da Assembleia da República. Seguiu-se-lhe, embora com dias de atraso, Martins da Cruz, porque não aguentou a suspeita generalizada de que havia abusado do seu poder em favor pessoal.

Na sequência do "caso Moderna", Paulo Portas não se demitiu, mesmo confrontado com suspeitas de ilícitos bem mais graves do que uma reles cunha. Agora, Portas elogiou a honradez e a dignidade do demissionário Lynce, qualidades que ele próprio não praticou em devido tempo.

A tudo isto assiste, impávido (atónito?), Durão Barroso, tentando segurar as pontas de um gabinete que nasceu torto e que caminha rapidamente para o esgotamento. Não é fácil a vida do primeiro-ministro. E a do país também não, sujeito a ser governado por amadores incapazes, verdadeiros aprendizes de estadistas. Por quanto tempo mais?